Inflação de 4,72% em 12 meses divide opiniões sobre corte ou manutenção da Selic em junho
O IPCA de maio atingiu 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta, criando incertezas sobre o futuro da taxa Selic.
Análise do IPCA de maio e seu impacto sobre a Selic
O IPCA de maio revelou um avanço para 4,72% no acumulado em 12 meses, superando o teto da meta oficial de inflação. Esse dado, divulgado em 12 de junho, provoca um debate intenso entre economistas e agentes do mercado sobre as próximas decisões do Banco Central em relação à taxa Selic. O atual patamar da Selic está em 14,5%, e há dúvidas se haverá novo corte ou manutenção na reunião marcada para 16 e 17 de junho.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destaca que o movimento inflacionário em maio foi impulsionado principalmente pelo grupo de Alimentação e Bebidas, que saltou 1,33%, respondendo por quase metade da inflação mensal. Problemas climáticos e custos logísticos elevaram preços de itens como batata-inglesa (+44,69%), tomate (+20,62%) e cebola (+16,80%), além de carnes, leite e arroz. Paralelamente, o grupo Habitação apresentou alta de 1,22%, com energia elétrica residencial subindo 3,67%, em parte devido à bandeira tarifária amarela e reajustes locais.
Pressões setoriais e indicadores subjacentes do IPCA
Apesar dos números preocupantes na inflação cheia, as métricas subjacentes e os núcleos de inflação mostraram sinais de desaceleração, especialmente nos serviços. Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, observa que o setor de Transportes apresentou queda de 0,46% em maio, com redução nos preços da gasolina (-1,46%) e do etanol (-6,20%). No setor de serviços, a média dos cinco principais núcleos de inflação recuou de 0,50% em abril para 0,45% em maio, refletindo menor pressão salarial e desaceleração do mercado de trabalho.
Carlos Thadeu, economista da BGC Liquidez, avalia que a evolução dos núcleos inflacionários é consistente com a possibilidade de mais um corte na Selic, já que os serviços, semi-duráveis e duráveis apresentaram desempenho em linha com expectativas.
Divisão entre economistas sobre a próxima decisão do Copom
A divulgação do IPCA de maio intensificou a divisão entre economistas sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Uma parcela defende que a melhora na qualidade dos serviços e a desaceleração dos núcleos abrem espaço para um novo corte de 25 pontos-base, reduzindo a Selic para 14,25%. Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, e Julio Barros, do Daycoval, corroboram essa visão, ressaltando que o Banco Central pode manter um discurso cauteloso ao mesmo tempo em que promove o corte.
Por outro lado, analistas como Olívia Flôres apontam que a inflação acima do teto da meta e a falta de ancoragem nas expectativas exigem cautela, podendo levar à interrupção do ciclo de cortes. A incerteza fiscal e as políticas de estímulo ao crédito também contribuem para pressões inflacionárias adicionais. Economistas Leonardo Costa (ASA) e Carlos Lopes (BV) reforçam o cenário de possível pausa na redução dos juros, enquanto Alexandre Maluf (XP) projeta dois cortes adicionais, mas com viés para Selic um pouco mais alta no final do ano.
Impactos internacionais e perspectivas para a inflação e Selic
Além das pressões domésticas, o mercado acompanha o cenário externo, principalmente as negociações entre Estados Unidos e Irã, que têm levado a quedas no preço do barril de petróleo Brent. Peterson Rizzo, da Multiplike, destaca que a possível reabertura do Estreito de Ormuz pode ampliar esse efeito, contribuindo para descompressão do câmbio e da inflação, e abrindo espaço para cortes na taxa Selic nos próximos meses.
Porém, Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, alerta que a redução do petróleo deve ser vista mais como mitigadora de riscos inflacionários futuros do que como solução para as pressões inflacionárias já presentes em setores essenciais como alimentação e serviços.
Expectativas do mercado para a reunião do Copom
Até 10 de junho, as apostas do mercado nas Opções Copom indicavam leve queda na probabilidade de manutenção dos juros, de 70% para 67,3%, e ligeiro aumento nas chances de corte, de 29,5% para 31,36%. Esse cenário reflete a incerteza gerada pelo IPCA de maio, que traz elementos contraditórios para a decisão da autoridade monetária.
O Banco Central terá de ponderar cuidadosamente os dados recentes para definir se a prioridade será combater a inflação ainda acima do teto da meta ou aproveitar o arrefecimento em núcleos para estimular a economia com mais um corte na Selic.
Fonte: www.infomoney.com.br





