Pesquisa revela que 80% dos brasileiros são contrários à discussão política em espaços religiosos, independentemente da denominação

Estudo do Iser em parceria com a Quaest aponta que 80% dos brasileiros rejeitam discussão política em espaços religiosos e 90% são contra presença de candidatos em igrejas
A expressiva maioria do eleitorado brasileiro demonstra resistência à mistura entre religião e política institucional. Segundo a pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, realizada pelo Iser em parceria com a Quaest, divulgada neste domingo (20), oito em cada dez entrevistados são contrários à discussão política dentro de espaços religiosos.
O levantamento também indica que nove a cada dez brasileiros rejeitam que suas lideranças religiosas permitam a presença de candidatos na igreja para fins eleitorais. O índice de rejeição se mantém em patamares numericamente similares entre o eleitorado católico, evangélico e em outras religiões.
Apesar da forte rejeição geral ao tema, o estudo mediu o impacto das indicações de pastores e líderes religiosos no pleito de 2022. Os dados mostram que 11% dos entrevistados foram orientados por suas lideranças a votar no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 5% receberam indicação direta para escolher o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre o segmento evangélico protestante, como batistas e presbiterianos, a orientação a favor de Bolsonaro atingiu 20%. Já no grupo pentecostal, que engloba denominações como Assembleia de Deus, Igreja Quadrangular e Igreja Universal, 23% afirmam ter recebido indicação de seu pastor para votar no candidato do PL na última disputa ao Planalto.
O comportamento do eleitorado religioso apresenta variações expressivas a depender da igreja frequentada. Na Igreja Universal, os números superam a média nacional: 27% relatam recomendação de voto em Bolsonaro e 12% em Lula. Além disso, 26% dos fiéis da Universal concordam que o pastor indique em quem votar, o dobro da média geral.
A pesquisa também evidencia divisões regionais que equilibram a correlação de forças políticas, particularmente no Nordeste durante o segundo turno de 2022.





