Resistência médica e atraso no atendimento cirúrgico agravaram quadro de hemorragia que levou à morte da magistrada em Mogi das Cruzes

A juíza Mariana Francisco Ferreira aguardou 28 horas por cirurgia após hemorragia em clínica de reprodução assistida e faleceu em hospital de Mogi das Cruzes.
A juíza sofreu demora de 28 horas para cirurgia após coleta de óvulos em Mogi das Cruzes
A juíza Mariana Francisco Ferreira, após realizar um procedimento de coleta de óvulos na Clínica Invitro Reprodução Assistida em Mogi das Cruzes na manhã do dia 4 de maio, sofreu uma grave hemorragia e esperou 28 horas por uma cirurgia emergencial que poderia ter salvado sua vida. O médico responsável pelo procedimento, Maurício Ligabô, resistiu a realizar a cirurgia, apesar dos alertas da equipe médica do Hospital e Maternidade Mogi-Mater, onde a juíza foi internada com quadro crítico.
Resistência médica e o impacto no quadro clínico da paciente
Desde o momento da internação, a equipe médica do hospital constatou a gravidade do quadro de hemorragia aguda e alertou repetidamente o médico responsável sobre a necessidade de intervenção cirúrgica urgente. No entanto, Ligabô manteve seu diagnóstico inicial de hiperestimulação ovariana e optou por tratamentos conservadores, pedindo exames e medicamentos adicionais, ignorando os sinais clínicos evidentes de agravamento do estado da paciente. Essa resistência prolongou o tempo até o procedimento cirúrgico, que foi realizado apenas cerca de 28 horas após a entrada de Mariana no hospital.
A atuação da equipe médica e a tentativa de salvar a juíza
Durante a madrugada e manhã seguintes à internação, a equipe médica do Hospital Mogi-Mater administrou medicamentos para alívio da dor e monitorou o quadro físico da juíza, que se agravava progressivamente. Mesmo com evidências de sangramento intenso e alterações nos exames, a equipe enfrentou a negativa do médico responsável em aprovar a cirurgia. Profissionais do hospital chegaram a buscar apoio de intensivistas e cirurgiões externos, denunciando a resistência de Ligabô e a urgência da situação. A cirurgia foi finalmente autorizada e realizada na noite do dia 5, mas Mariana faleceu na manhã seguinte, por volta das 6h.
Investigação policial e desdobramentos do caso
O caso está registrado como morte suspeita no 1° Distrito Policial de Mogi das Cruzes, onde diligências continuam para esclarecer as circunstâncias e responsabilidades. A Secretaria de Segurança Pública confirmou que a juíza realizou a coleta de óvulos e que o quadro agravou-se após o procedimento. O hospital e a clínica envolvida também foram comunicados e aguardam posicionamentos formais. A defesa do médico responsável ainda não se manifestou. A investigação visa apurar possíveis negligências e falhas no atendimento que contribuíram para o desfecho fatal.
Quem foi Mariana Francisco Ferreira e o legado deixado
Nascida em Niterói, Rio de Janeiro, Mariana Francisco Ferreira dedicou-se à magistratura com paixão desde a adolescência. Ingressou no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul em dezembro de 2023 e atuou em diversas comarcas, incluindo Parobé, Porto Alegre e Sapiranga. Seu compromisso com a justiça e o trabalho no Tribunal marcaram sua trajetória profissional, que foi interrompida tragicamente pela falha no atendimento médico após o procedimento de reprodução assistida.
Este caso evidencia a importância da rápida decisão médica em situações de emergência e levanta questionamentos sobre protocolos hospitalares em procedimentos delicados. A juíza Mariana permanece como símbolo da necessidade de aprimoramento na assistência à saúde e na responsabilidade profissional.





