Lagarde diz que choque de energia é grande demais para ser ignorado

Presidente do BCE reafirma riscos à inflação e crescimento na zona do euro em meio ao conflito no Oriente Médio

Lagarde diz que choque de energia é grande demais para ser ignorado
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu. Foto: Estadão Conteúdo

Lagarde reafirmou que os riscos permanecem inclinados para o lado negativo no crescimento e positivo na inflação.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reafirmou que os riscos permanecem inclinados para o lado negativo no crescimento e para o lado positivo na inflação. A declaração foi feita no sábado, 17, após reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bangkok, em contexto de incerteza sobre a intensidade e duração do conflito no Oriente Médio e seus efeitos econômicos.

Lagarde defendeu que o futuro da política monetária será guiado por uma avaliação abrangente dos dados, seguindo a função de reação da instituição. Segundo ela, o BCE continuará tomando decisões de juros com base em três critérios: a avaliação do cenário de inflação e seus riscos à luz de dados econômicos e financeiros, a dinâmica da inflação subjacente e a força do mecanismo de transmissão da política monetária.

“O choque de energia é grande demais para ser ignorado”, afirmou Lagarde. Ela ressaltou, porém, que uma resposta comedida segue apropriada para manter a inflação sob controle. A presidente observou que as condições de financiamento se apertaram, com alta dos juros de longo prazo desde a última reunião, fato que tende a desacelerar o crescimento e reduzir o repasse de preços.

Lagarde citou o conflito no Oriente Médio como fator que expõe os mercados de energia a oscilações bruscas. A presidente também mencionou a guerra da Rússia contra a Ucrânia como fator de risco para a inflação, ressaltando que ambos os conflitos podem tornar o choque de energia mais intenso ou persistente e elevar efeitos indiretos e de segunda ordem, prolongando a alta de preços.

Para a chefe do BC da zona do euro, preços mais altos de energia devem manter a inflação cheia bem acima da meta até o primeiro semestre de 2027 e, gradualmente, contaminar a inflação de núcleo e de alimentos. A projeção é de queda da inflação após o primeiro trimestre, à medida que a inflação de energia recua, com retorno perto da meta de 2% no fim de 2027.

As projeções de setembro do BCE indicam expansão de 0,9% para 2026, 1,4% para 2027 e 1,5% para 2028, com suporte de recuperação da renda real, mercado de trabalho resiliente e gastos públicos em infraestrutura. Lagarde destacou que a economia da zona do euro tem mostrado resiliência apesar dos ventos contrários globais e do choque energético.

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