Governo brasileiro avalia que enfraquecimento de Trump no Congresso amplia margem para negociações diplomáticas com Washington

Governo Lula avalia que vitória democrata no Congresso americano enfraquece Trump e abre oportunidades para reequilíbrio nas relações bilaterais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe informações desde a manhã desta quarta-feira (4) sobre o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas, a avaliação do governo é a de que haverá um reequilíbrio de forças entre Brasil e EUA.
Lula está fortalecido pela reeleição, enquanto o presidente Donald Trump sai enfraquecido das “midterms”, pois será muito mais pressionado pelo Congresso americano após a vitória dos democratas tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes, conforme auxiliares do governo.
Integrantes do governo Lula pontuam fatores que podem ser vantajosos para o Brasil após a derrota dos republicanos. Embora a política externa seja atribuição do Poder Executivo, os assessores do presidente acreditam que o novo Congresso americano possa servir como um anteparo aos avanços da gestão Trump sobre a América Latina.
“Passar a questionar ainda mais medidas de tarifaço internacional”, apontam os auxiliares de Lula como uma das possíveis consequências.
A diplomacia brasileira espera que iniciativas que podem afetar autoridades brasileiras permaneçam na gaveta do Capitólio, como o projeto da deputada federal da Flórida Maria Elvira Salazar (Republicanos), aliada do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O projeto “Sem censores em nossas fronteiras” tem o objetivo de autorizar que o governo americano possa impedir a entrada ou deportar pessoas que praticarem atos de censura ou de ataque à liberdade de expressão. Salazar defendeu e comemorou publicamente a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. A reeleição da deputada ainda não foi confirmada e passa por processo de recontagem, mas, mesmo se vencer, deve ficar cada vez mais isolada.
Outra aposta do governo é que a ala de parlamentares democratas que questionou possível interferência das big techs nas eleições brasileiras segue mais fortalecida. A expectativa também é que a nova composição não só do Congresso, mas também de governos estaduais, possa ajudar no avanço de investigações e colaborações internacionais. O Brasil espera que a Polícia Federal possa contar com apoio das autoridades regionais para avançar em casos como a apuração do fundo americano Havengate, localizado no estado do Texas, onde vive Eduardo Bolsonaro e onde foi eleita Gina Hinojosa, primeira mulher latina a comandar o estado.



