Lula aposta em reequilíbrio de força com EUA após derrota republicana

Governo brasileiro avalia que enfraquecimento de Trump no Congresso amplia margem para negociações diplomáticas com Washington

Lula aposta em reequilíbrio de força com EUA após derrota republicana
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Ricardo Stuckert — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  • Foto: Ricardo Stuckert

Governo Lula avalia que vitória democrata no Congresso americano enfraquece Trump e abre oportunidades para reequilíbrio nas relações bilaterais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe informações desde a manhã desta quarta-feira (4) sobre o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas, a avaliação do governo é a de que haverá um reequilíbrio de forças entre Brasil e EUA.

Lula está fortalecido pela reeleição, enquanto o presidente Donald Trump sai enfraquecido das “midterms”, pois será muito mais pressionado pelo Congresso americano após a vitória dos democratas tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes, conforme auxiliares do governo.

Integrantes do governo Lula pontuam fatores que podem ser vantajosos para o Brasil após a derrota dos republicanos. Embora a política externa seja atribuição do Poder Executivo, os assessores do presidente acreditam que o novo Congresso americano possa servir como um anteparo aos avanços da gestão Trump sobre a América Latina.

“Passar a questionar ainda mais medidas de tarifaço internacional”, apontam os auxiliares de Lula como uma das possíveis consequências.

A diplomacia brasileira espera que iniciativas que podem afetar autoridades brasileiras permaneçam na gaveta do Capitólio, como o projeto da deputada federal da Flórida Maria Elvira Salazar (Republicanos), aliada do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O projeto “Sem censores em nossas fronteiras” tem o objetivo de autorizar que o governo americano possa impedir a entrada ou deportar pessoas que praticarem atos de censura ou de ataque à liberdade de expressão. Salazar defendeu e comemorou publicamente a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. A reeleição da deputada ainda não foi confirmada e passa por processo de recontagem, mas, mesmo se vencer, deve ficar cada vez mais isolada.

Outra aposta do governo é que a ala de parlamentares democratas que questionou possível interferência das big techs nas eleições brasileiras segue mais fortalecida. A expectativa também é que a nova composição não só do Congresso, mas também de governos estaduais, possa ajudar no avanço de investigações e colaborações internacionais. O Brasil espera que a Polícia Federal possa contar com apoio das autoridades regionais para avançar em casos como a apuração do fundo americano Havengate, localizado no estado do Texas, onde vive Eduardo Bolsonaro e onde foi eleita Gina Hinojosa, primeira mulher latina a comandar o estado.

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