Desaceleração da demanda chinesa e migração de consumidores para joias de menor margem pressionam resultados do conglomerado

A LVMH acumula queda de 40% no valor de suas ações em 2026, afetada pela desaceleração da demanda chinesa e pela mudança de preferência de consumidores
O conglomerado LVMH, detentor de marcas como Louis Vuitton, acumula uma queda de 40% no valor de suas ações no ano de 2026. A empresa enfrenta pressão no mercado de luxo impulsionada por altos preços e perda de consumidores em mercados estratégicos.
A desaceleração da demanda chinesa pesa significativamente sobre os resultados. A China representava aproximadamente 30% da receita do setor de luxo, e as compras recuaram cerca de 15% no trimestre. Além disso, a classe média aspiracional global deixou de priorizar produtos de couro e vestuário de grife, migrando para joias, categoria que oferece margem muito inferior às empresas.
A divisão de couros, bolsas e roupas operava com margens de 30% a 40%, enquanto a divisão de joias trabalha com apenas 8% de margem. A Louis Vuitton não está vendendo menos, mas o lucro está caindo significativamente.
Outra empresas de luxo, como a Hermès, também enfrentam momentos delicados. A crise não é exclusiva do conglomerado francês, afetando todo o setor.
O crescimento do mercado de segunda mão também contribui para o cenário adverso. Consumidores que ainda desejam as marcas do grupo optam por produtos sem geração de receita direta para a empresa. Além disso, um episódio de repercussão negativa agravou a situação na China. A Louis Vuitton entrou em disputa judicial com a marca chinesa Moly Tea, que utilizava uma logo considerada semelhante à da grife francesa. Ao vencer o processo, a empresa desencadeou um movimento de boicote: o vídeo da vitória judicial acumulou mais de 400 milhões de visualizações dentro de um contexto de forte nacionalismo de consumo.
Bernard Arnault, controlador da LVMH, tem aproveitado a queda das ações para aumentar sua participação no grupo por meio de reestruturação via holding. O próprio conglomerado interpreta o momento como um movimento cíclico, acreditando que a demanda chinesa pode se recuperar. No entanto, novas marcas poderão ocupar espaço no mercado de luxo.



