Outubro acumulou 78 mm na capital, superando marca de 70 anos. El Niño pode afetar colheita se umidade persistir

Mendoza, principal região vitivinícola da Argentina, registrou em outubro o maior volume de chuvas para o mês em 70 anos, acendendo alerta entre produtores
Mendoza, principal região vitivinícola da Argentina, registrou em outubro de 2026 o maior volume de chuvas para o mês em 70 anos. A estação meteorológica do aeroporto de El Plumerillo acumulou 78 milímetros de chuva, superando todos os registros desde 1956 e deixando para trás a marca anterior de 65 milímetros, registrada em 2001.
No sul da província, os acumulados chegaram a 209 milímetros em San Rafael e 236 milímetros em Malargüe, segundo dados do Serviço Meteorológico Nacional argentino. Além da quantidade de água, outubro teve uma frequência incomum de dias chuvosos e nublados.
O volume de precipitação está associado ao cenário climático de El Niño, que favorece condições mais propícias à ocorrência de chuvas na região durante a primavera e o verão. O fenômeno demonstra a influência de padrões climáticos globais sobre a América do Sul.
Para o enólogo da vinícola Luigi Bosca, as condições exigem atenção, mas ainda não representam um problema grave para a safra. “Tem chovido muito ultimamente. Isso está afetando a saúde dos vinhedos agora, mas não é nada muito sério por enquanto. Se isso continuar durante o período de maturação, pode influenciar o apodrecimento, doenças e a saúde geral das uvas antes da colheita”, afirmou.
O profissional também observa temperaturas abaixo do normal para a época, condição que pode atrasar o amadurecimento das uvas. O excesso de água neste momento aumenta a disponibilidade hídrica no solo e permite reduzir a necessidade de irrigação.
“Se essa umidade persistisse durante o período de maturação, poderíamos observar algum impacto na produção até a colheita. É isso que estou prevendo para este ano em particular”, disse o enólogo.
A estratégia da vinícola é intensificar o acompanhamento dos vinhedos e manter os tratamentos necessários para preservar a saúde das plantas. Segundo o profissional, se as condições forem controladas, a quantidade e a qualidade das uvas não precisam ser comprometidas.
A chuva tem papel particular na viticultura de Mendoza. A região apresenta clima semiárido, com precipitações anuais baixas, em torno de 230 milímetros.



