Mercado pressiona Copom a manter Selic em 13,75% após eleição de Lula

Dólar subiu 8% após segundo turno e inflação de serviços permanece resistente aos cortes de juros

Mercado pressiona Copom a manter Selic em 13,75% após eleição de Lula
Copom reúne-se para definir trajetória da taxa de juros em cenário de pressão inflacionária. Foto: Élida Oliveira

Copom enfrenta pressão do mercado para manter juros estáveis após eleição. Dólar e inflação implícita avançaram após segundo turno.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se para definir a taxa Selic em cenário marcado por pressão inflacionária, tensões externas e desconfiança do mercado sobre a capacidade do governo em fazer ajuste fiscal das contas públicas.

Até poucos dias antes do segundo turno eleitoral, a expectativa majoritária apontava para um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. O resultado das urnas inverteu a probabilidade, e grande parte do mercado agora projeta a manutenção dos juros no atual patamar de 13,75% até o fim deste ano. A XP aposta em pausa por um período maior, até o fim de 2027.

O dólar subiu de R$ 4,96, cotação da sexta-feira anterior ao segundo turno, para R$ 5,48 na terça-feira (3), maior valor de encerramento do dólar em 2026. A inflação oficial (IPCA) acumula alta de 4,58% em doze meses, rompendo o teto da meta de 4,5%.

“Até a semana passada, o mercado trabalhava com mais um corte de 0,25. A eleição mudou esse quadro em um dia: o dólar subiu cerca de 8%, a inflação implícita nos títulos públicos avançou mais de um ponto e as curvas indicam alta chance de pausa”, avalia Guilherme Ghidetti, sócio e CIO da Jera Capital.

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos da AW Capital, afirma que “a expectativa [de corte] que existia antes do segundo turno se perdeu após o caos do dia 26 de outubro”. Segundo Magno, “pelos dados de inflação e PIB, o Banco Central teria liberdade para cortar, mas pelo juro futuro, acredito que não fará, já que o mercado poderá simplesmente pedir mais juro para financiar o governo, o que seria bem pior”.

A desvalorização do real tende a passar para os preços nos próximos meses, segundo economistas. As expectativas de inflação, que já estavam acima da meta, devem subir. A inflação de serviços permanece resistente a recuos, criando barreira adicional para novos cortes de juros.

“Cortar agora seria contar com a normalização do câmbio sem nenhum sinal concreto do lado fiscal”, avalia Ghidetti.

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