Moraes apreende passaportes de Flávio Bolsonaro e gera críticas no entorno de Lula

Aliados do presidente avaliam que medida foi precipitada e alimenta narrativa de perseguição à família Bolsonaro

Moraes apreende passaportes de Flávio Bolsonaro e gera críticas no entorno de Lula
Presidente Lula e ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Decisão de Moraes de apreender passaportes de Flávio Bolsonaro no domingo é criticada por interlocutores de Lula como precipitada e prejudicial ao governo.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou no domingo (25) a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. A decisão é alvo de críticas no entorno do petista.

Interlocutores do presidente avaliam que a medida foi precipitada e dá à oposição argumentos para sustentar o discurso de perseguição à família Bolsonaro. Segundo essas fontes, a apreensão dos passaportes ajuda a alimentar a narrativa de que as eleições não foram transparentes e oferece argumentos a setores do governo dos Estados Unidos para lançar dúvidas sobre a vitória de Lula.

Moraes tomou a decisão após um pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga. A corporação citou como argumento a saída do Brasil do advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito que Flávio. Outro motivo para o alerta foi uma declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, feita em 23 de outubro.

“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que ele deixe o país com certeza”, disse Eduardo Bolsonaro em entrevista ao podcast americano “CrowderBits”.

Lula conquistou mais de 4,4 milhões de votos de vantagem sobre Flávio na reta final da campanha. O presidente reverteu a desvantagem que tinha no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. No segundo turno, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalente a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.

Aliados do presidente afirmam que a medida de Moraes cria um desgaste desnecessário depois de uma campanha marcada por dificuldades internas e pelo esforço para reverter a vantagem de Flávio no primeiro turno. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer nesta terça-feira (27), durante um comício no Texas, que as eleições no Brasil foram fraudadas, sem apresentar provas.

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