Mudança de rota do tráfico impacta apreensões nos portos brasileiros

Amanda Perobelli

Polícia Federal identifica migração do transporte de drogas para embarcações pesqueiras após queda significativa nas apreensões em contêineres

A Polícia Federal observa mudança de rota do tráfico internacional, com queda nas apreensões em portos e aumento em embarcações pesqueiras.

Mudança de rota do tráfico evidencia queda nas apreensões em portos brasileiros

A Polícia Federal identificou que a mudança de rota do tráfico internacional de drogas impacta diretamente as apreensões nos portos brasileiros, especialmente no Porto de Santos, maior da América Latina. Desde 2019, as apreensões em contêineres caíram drasticamente, passando de 66.771 kg para 15.630 kg em 2025, com apenas 2.507 kg apreendidos até maio de 2026. O delegado responsável pela investigação destaca que essa transição reflete uma adaptação das organizações criminosas a novas estratégias de fiscalização e segurança.

Investigações revelam uso crescente de embarcações pesqueiras e modais alternativos

Em contrapartida à queda nos terminais portuários, as apreensões em barcos pesqueiros, veleiros, semissubmersíveis e navios de carga de pequeno porte aumentaram significativamente, principalmente em rotas com destino à Europa e África. A Polícia Federal relata que essas embarcações menores facilitam a evasão dos sistemas tradicionais de fiscalização, tornando o combate ao tráfico mais complexo. A operação recente que apreendeu seis toneladas de droga em um navio com bandeira brasileira, partindo de Serra Leoa, exemplifica essa nova modalidade.

Estratégias de fiscalização robustas pressionam rotas tradicionais de tráfico no Brasil

O aumento nas medidas de segurança nos portos brasileiros, como a implementação de scanners em 100% das exportações, ampliação de câmeras de vigilância e controle rigoroso de acesso, tem dificultado o transporte de drogas via contêineres. Essas ações, lideradas por órgãos como a Conportos e Cesportos, elevaram o padrão de fiscalização e contribuíram para a redução das apreensões tradicionais. Autoridades consideram que essas melhorias tornaram os portos menos atrativos para o tráfico organizado.

O papel dos “mergulhadores do crime organizado” na adaptação do tráfico marítimo

As investigações da Polícia Federal identificaram a atuação dos chamados “mergulhadores do crime organizado”, responsáveis por acoplar drogas em navios no mar, evitando a inspeção direta nos portos. Essa prática permite que o contrabando seja inserido em embarcações de carga legítima, reduzindo o risco de detecção. A complexidade desse método evidencia a sofisticação crescente das facções na adaptação às barreiras de fiscalização.

Impactos e desafios para o combate ao tráfico marítimo no Brasil

A migração das rotas tradicionais para modais alternativos como barcos pesqueiros e semissubmersíveis desafia as autoridades brasileiras a desenvolverem novas abordagens de fiscalização e inteligência. O cenário atual exige investimentos em tecnologia, cooperação internacional e monitoramento marítimo contínuo para combater eficazmente o tráfico. A Polícia Federal reforça a importância de ações integradas para impedir que o Brasil se torne ponto estratégico para o transporte ilícito de drogas.

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