Pesquisa do MIT mostra que consistência do sono ao longo de semanas explica 25% do desempenho acadêmico

Privação de sono impede consolidação da memória necessária para transformar aprendizado recente em conhecimento de longo prazo
A privação de sono prejudica retenção de matéria, raciocínio lógico e controle emocional de estudantes em preparação para provas, segundo especialista em neurologia. Estudantes costumam aumentar ritmo de estudos e reduzir tempo de descanso na preparação para Enem e vestibulares, acreditando que ficar horas extras com livros melhora aproveitamento.
Dra. Christina Coelho, neurologista e professora da Afya Educação Médica São Paulo, explica o mecanismo envolvido. “A ideia de que madrugar estudando traz resultados é uma falsa ilusão de produtividade. Na verdade, a privação de sono impede os processos biológicos essenciais que transformam o aprendizado recente em memória consolidada de longo prazo”, afirma.
Durante fases de sono profundo, como sono de ondas lentas NREM, o cérebro realiza consolidação mnemônica. Informações captadas ao longo do dia são transferidas do hipocampo, que funciona como armazenamento temporário, para o neocórtex, onde formam memória definitiva.
Pesquisa intitulada “Sleep quality, duration, and consistency are associated with better academic performance in college students” foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e publicada na revista Npj Science of Learning. Estudo monitorou sono e notas de estudantes durante semestre inteiro. Cientistas concluíram que combinação de duração, qualidade e consistência do sono ao longo das semanas responde por quase 25% da variação no desempenho acadêmico final.
Pesquisa também provou que qualidade e duração do sono na noite imediatamente anterior à prova não tiveram relação estatística com nota obtida. “Não adianta querer ‘compensar’ o sono atrasado de um mês inteiro na véspera do exame. O aprendizado é um processo acumulativo. É a regularidade diária do sono ao longo de todo o período de estudos que garante que o cérebro fixe o conhecimento necessário”, alerta Dra. Christina Coelho.
Relação entre falta de descanso e picos de ansiedade no dia da prova possui explicação neurocientífica. Estudo “The human emotional brain without sleep — a prefrontal amygdala disconnect” realizado por pesquisadores de Harvard e Universidade da Califórnia em Berkeley investigou desconexão emocional no cérebro causada por privação de sono.



