Navi Pillay, de 85 anos, vence prêmio da Paz 2026 após investigar genocídio em Gaza e sofrer sanções dos EUA

O Comitê Norueguês do Nobel premia jurista sul-africana Navanethem Pillay por trabalho com Justiça internacional sob pressão de líderes globais
O Comitê Norueguês do Nobel escolheu nesta quinta-feira a jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, como vencedora do Nobel da Paz de 2026. Segundo o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, a premiação representa um recado às autoridades que tentam sabotar o trabalho da Justiça internacional.
Entre essas autoridades estão os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Frydnes afirmou que o sistema de direito internacional está sob enorme pressão e que suas instituições estão sob ataque. Falou ainda numa guinada para a política do poder do mais forte, em detrimento das regras multilaterais e do respeito à justiça internacional.
Em fevereiro de 2025, Trump assinou uma ordem executiva impondo sanções ao Tribunal Penal Internacional (TPI), instituição em que Pillay foi juíza entre 2003 e 2008. A medida foi tomada após o tribunal expedir mandados de prisão contra Netanyahu e seu ex-ministro da Defesa Yoav Gallant em novembro de 2024, acusados de crimes de guerra em Gaza, incluindo o uso da fome como arma contra os palestinos.
A Casa Branca chamou os mandados de “infundados” e autorizou o congelamento de bens e a proibição de entrada nos Estados Unidos para funcionários do tribunal. Netanyahu agradeceu publicamente e classificou o TPI como corte “corrupta” e “antissemita”. Na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, Trump pediu que todos os países-membros abandonassem o tribunal.
Pillay presidiu a comissão de inquérito da ONU sobre o território palestino ocupado e Israel, criada em 2021. Em setembro de 2025, a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. O relatório apontou ainda que autoridades do primeiro escalão, incluindo Netanyahu, incitaram esses atos. O governo israelense classificou as acusações de escancaradas e nega ter cometido genocídio.
Putin também é destinatário do recado do Nobel. O presidente russo é alvo de um mandado de prisão do TPI desde março de 2023, acusado da deportação ilegal de crianças ucranianas durante a guerra na Ucrânia.



