Ding Shuqi relata isolamento prolongado e métodos de coerção física contra cristãos durante detenção em 2018

Pastor da Early Rain Covenant Church relata isolamento, vigilância constante e técnicas de tortura física durante prisão arbitrária na China
O pastor Ding Shuqi, líder da Early Rain Covenant Church, denunciou ao Museu da Bíblia em Washington o cerceamento das liberdades religiosas promovido pelo Partido Comunista Chinês. Na primeira aparição pública desde que chegou aos Estados Unidos em 2025, o religioso detalhou a rotina de vigilância, prisões arbitrárias e sofrimento enfrentado por fiéis que se recusam a subordinar suas crenças ao controle estatal.
Ding relembrou a operação de 2018 que resultou em sua primeira prisão, quando permaneceu cinco meses detido sob acusações de operar negócios ilegais. Segundo o pastor, durante o confinamento era identificado apenas por um número e submetido a isolamento prolongado, sendo forçado a manter uma posição de estresse físico conhecida como “o dragão segurando o pilar”, que consiste em agachamento com mãos e pernas acorrentadas.
“Eu não tinha advogado, não tinha contato com minha família e não tinha Bíblia”, relatou sobre os meses em que era vigiado constantemente por outros detentos.
A perseguição contra membros da congregação continua após sua libertação condicional. De acordo com Ding, fiéis enfrentam batidas policiais, interrupções em cultos domésticos e prisões por atividades simples, como grupos de leitura religiosa. Líderes da Early Rain Covenant Church, incluindo Dai Zhichao, Li Yingqiang e Jia Xuewei, enfrentam processos judiciais sob a acusação de incitar a subversão do poder estatal, podendo receber penas de até 20 anos de prisão.
Ding enfatizou que a opressão não é um caso isolado, mas uma política deliberada do Estado chinês contra o movimento de igrejas domésticas. O líder religioso alertou a comunidade internacional que a liberdade de crença é a base para garantir todos os outros direitos humanos e convocou líderes mundiais a pressionarem o governo de Xi Jinping pelo fim das violações.
O evento foi organizado por coalizões voltadas à liberdade religiosa e antecede a visita oficial do presidente chinês a Washington. Familiares de detentos, incluindo do pastor Wang Yi, que cumpre pena de nove anos desde 2019, articulam junto ao governo americano medidas para a libertação de prisioneiros.




