Grupo da UFRJ acompanhou milhares de celebrações religiosas nas semanas anteriores às eleições de 2026

Grupo Passagens, da UFRJ, acompanhou, transcreveu e analisou cultos e missas nas semanas antes do primeiro turno das eleições
O grupo Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a organização More in Common, monitorou milhares de cultos e missas nas semanas anteriores ao primeiro turno das eleições de 2026 para identificar referências políticas e eventuais ilícitos eleitorais.
Rodrigo Toniol, professor de Antropologia da UFRJ, relatou a pesquisa em artigo publicado na Folha de S.Paulo. Segundo ele, a metodologia de acompanhamento pode ter envolvido observação presencial, análise de vídeos transmitidos publicamente ou uso de ferramentas automatizadas, como inteligência artificial para transcrever as celebrações.
Toniol argumenta que o ponto central da questão não reside na metodologia utilizada, mas na normalização da ideia de monitorar sistematicamente o púlpito para identificar possíveis infrações. “Uma coisa é investigar um fato concreto, determinado e previamente denunciado, com observância do devido processo legal. Outra, inteiramente distinta, é submeter o exercício de uma liberdade fundamental a uma lógica de monitoramento preventivo, partindo-se não de um ilícito conhecido, mas da suspeita de que ele possa estar escondido em algum lugar dentro da manifestação religiosa.”
O pesquisador aponta que a iniciativa levanta preocupações sobre liberdades civis fundamentais. A inversão de perspectiva — de investigação reativa a monitoramento preventivo — altera o paradigma de proteção da liberdade religiosa e da liberdade de expressão nas manifestações de fé. O monitoramento sistemático de sermões, homilias e prédicas com fins preventivos representa uma mudança significativa na relação entre Estado e instituições religiosas em período eleitoral.



