PF identifica cobranças de enteado de Wagner a empresário do Master

Operação Compliance Zero revela mensagens incriminatórias e repasses de R$ 3,5 milhões para empresa ligada à família do senador baiano

PF identifica cobranças de enteado de Wagner a empresário do Master
Eduardo Mendonça Sodré Martins é secretário de Meio Ambiente da Bahia e alvo da operação deflagrada nesta quarta

Polícia Federal encontra evidências de Eduardo Mendonça cobrando pagamentos a Augusto Lima. Operação Compliance Zero investiga fraudes no extinto Banco Master e possíveis vantagens indevidas ao senador.

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 18 de junho de 2026, a Operação Compliance Zero contra o senador petista Jaques Wagner e seu entorno, revelando correspondências que indicam esquema de recebimento de valores ligados ao extinto Banco Master.

Mensagens obtidas pela corporação mostram Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e titular da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia, pressionando o empresário Augusto Lima para liquidação de dívidas. Em setembro de 2025, Eduardo enviou texto direto: “Amanhã vence (sic) os boletos e são altos”. Lima respondeu citando dificuldades financeiras geradas pelo fracasso da operação de venda do banco para o Banco de Brasília.

Rastreamento de repasses levanta suspeitas

Trinta dias após a cobrança documentada, empresa vinculada à família de Wagner recebeu transferência de R$ 3,5 milhões. A remessa partiu da PKL One Participações S.A., firma ligada a Lima, com destino à BN Financeira LTDA. A proprietária da segunda empresa é Bonnie Bonilha, mulher de Eduardo e nora do senador.

Investigadores federais sustentam que a BN Financeira funcionaria como mecanismo para conferir legalidade a repasses sem fundamentação em serviços reais prestados. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a operação após análise das evidências coligidas.

O papel ativo de Eduardo nas cobranças

Segundo a Polícia Federal, Eduardo exerceu função decisória nas tentativas de recebimento junto a Lima. A corporação aponta ainda sugestão do empresário para cancelamento de nota fiscal, a ser reenumerada posteriormente, indicando possível estruturação para dissimulação de origem dos valores.

A PF investiga se o senador Wagner recebeu “vantagens econômicas indevidas” de intermediários para defender interesses do extinto Banco Master no Congresso Nacional. Conforme documentação da investigação, os valores poderiam ter chegado ao parlamentar tanto diretamente quanto de forma indireta, através de familiares, pessoas de confiança ou estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico objeto de análise.

Estrutura de investigação e mandados

Além de Wagner e Lima, Eduardo Mendonça Sodré Martins é alvo de mandados de busca e apreensão. A operação de hoje marca segundo movimento do inquérito que examina fraudes perpetradas durante funcionamento do Banco Master, instituição que encerrou operações sob investigação por irregularidades.

O sigilo sobre decisão que fundamentou a deflagração foi retirado, permitindo publicização dos fatos investigados. As autoridades federais buscam localizar documentação adicional nas residências e sedes comerciais dos investigados que corrobore as suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos.

Cronologia dos fatos sob análise

A sequência de eventos investigada abrange período de setembro a outubro de 2025, quando as mensagens foram trocadas entre Eduardo e Lima. O padrão de comunicação, segundo analistas da PF, sugere relacionamento comercial estabelecido e sistemático, diferente de transação pontual ou emergencial.

Documentação da transferência bancária mostra datas compatíveis com período imediatamente posterior às cobranças, reforçando teoria da continuidade operacional. Investigadores apontam que a estrutura societária da BN Financeira foi constituída meses antes dos repasses, sugerindo planejamento antecedente.

Próximas etapas e perspectivas

A Polícia Federal segue com análise de registros telefônicos, bancários e documentação contábil apreendida nas buscas de hoje. Está previsto depoimento de envolvidos para esclarecer finalidade declarada dos repasses e natureza dos serviços que teriam justificado as transferências.

O caso insere-se em contexto mais amplo de investigações sobre financiamento de atividades políticas através de esquemas empresariais, tema recorrente em inquéritos federais dos últimos anos. Autoridades federais indicam que prosseguem com diligências para identificar possíveis beneficiários adicionais dos valores desviados.

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