Partido Liberal apresenta emenda para jornada 4×3, gerando reação contrária da deputada do PSOL em votação sobre jornada de trabalho

PL propõe escala 4×3 na votação da PEC sobre jornada 6×1, e deputada Erika Hilton critica manobra na Câmara.
Contexto da proposta de escala 4×3 na Câmara dos Deputados
A escala 4×3 voltou a ser tema central na discussão sobre a jornada de trabalho na Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026. O Partido Liberal (PL) apresentou uma emenda para implantar essa escala durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada 6×1. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), relatora de uma das PECs analisadas pela comissão especial, criticou duramente a iniciativa do PL, qualificando-a como uma “manobra covarde e mentirosa” para dificultar o avanço do texto acordado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A negociação política e o acordo sobre a jornada 5×2
Originalmente, a relatoria de Erika Hilton defendia a escala 4×3, que prevê uma jornada semanal de 36 horas. No entanto, após negociações entre o governo e a Câmara, foi pactuada a adoção da escala 5×2, com a jornada semanal fixada em 40 horas. Essa mudança representa um compromisso político para viabilizar a aprovação da PEC e busca equilibrar os interesses dos trabalhadores e da manutenção da produtividade. Erika destacou que não haveria tempo hábil para novas alterações no relatório antes da votação final, o que torna a proposta do PL uma tentativa de alterar o acordo já firmado.
A posição do Partido Liberal e o discurso de Sóstenes Cavalcante
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que o partido apresentaria uma emenda destacada para a votação da escala 4×3, justificando que a bancada defende uma redução maior da jornada de trabalho. Ele afirmou que a iniciativa visa garantir mais descanso ao trabalhador, permitindo quatro dias de trabalho seguidos por três dias de descanso. Cavalcante criticou o governo, atribuindo-lhe práticas de desinformação e oportunismo, enquanto posicionou o PL como defensor dos direitos e do bem-estar dos trabalhadores.
Impactos e desdobramentos da disputa pela jornada de trabalho
A controvérsia envolvendo a escala 4×3 reflete um cenário político acirrado, onde diferentes forças disputam a definição de condições laborais no país. A adoção da jornada 5×2 pelo governo e aliados busca garantir flexibilidade e continuidade dos serviços públicos, enquanto a proposta da escala 4×3 do PL tenta recuperar uma pauta mais tradicional de redução da jornada. Essa disputa pode influenciar não apenas a aprovação da PEC, mas também o futuro das relações de trabalho e a produtividade no setor público.
A importância da discussão para os trabalhadores e o Congresso Nacional
A análise e definição dos regimes de jornada são essenciais para equilibrar os direitos dos trabalhadores com as necessidades administrativas dos órgãos públicos. A pressão política e o debate promovido por atores como Erika Hilton e o PL evidenciam a complexidade do tema e a necessidade de decisões pautadas no diálogo e na transparência. A votação na Câmara, agendada para a quarta-feira, é aguardada com expectativa por todas as partes envolvidas.
Conclusão
A proposta do PL para a escala 4×3, acompanhada das críticas da deputada Erika Hilton, demonstra a tensão política em torno da reforma das jornadas de trabalho. A disputa entre as escalas 4×3 e 5×2 reflete as divergências entre governo, oposição e parlamentares sobre o que seria mais benéfico para trabalhadores e instituições públicas. O resultado da votação poderá redefinir o panorama laboral no setor público brasileiro nos próximos anos.





