Preocupações com a demanda global e custos elevados impactam os contratos futuros do cacau na Bolsa de Nova York

O preço do cacau caiu 3,03% na Bolsa de Nova York devido a preocupações com a demanda global e aumento dos custos para importadores.
Confira a programação completa do mercado de commodities agrícolas
O preço do cacau recuou 3,03% na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira, 16 de fevereiro de 2026, finalizando o contrato futuro para julho em US$ 3.455 por tonelada. Essa queda reflete as preocupações com a demanda global, principalmente após a divulgação da Associação Europeia do Cacau, que apontou uma redução de 7,8% na moagem de cacau na Europa no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, chegando a 325.895 toneladas, uma baixa inédita para a época em 17 anos.
Por outro lado, a Associação de Cacau da Ásia revelou uma alta inesperada de 5,2% na moagem regional, totalizando 223.503 toneladas no mesmo período, contrariando as estimativas anteriores que previam uma queda de 6,7%. Essa divergência geográfica na demanda contribuiu para que as perdas nos preços do cacau fossem parcialmente mitigadas.
Além dos fatores ligados à moagem, o mercado acompanha o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz, que restringiu o fluxo de fertilizantes essenciais para a produção agrícola. Essa situação elevou as taxas de frete marítimo, os custos de seguro e os preços dos combustíveis, pressionando os custos para importadores de cacau e, consequentemente, influenciando a dinâmica dos preços futuros.
Análise do impacto do fechamento do Estreito de Ormuz no custo do cacau
O fechamento do Estreito de Ormuz gerou um efeito cascata nos mercados de commodities ao restringir o trânsito de fertilizantes e aumentar os custos logísticos globais. Para o setor do cacau, essa situação significa uma menor oferta de insumos essenciais para a produção agrícola, o que pode pressionar os preços a médio prazo, apesar da atual queda nos contratos futuros evidenciada nesta sessão.
O aumento das taxas de frete, custos de seguro e combustível reforça a volatilidade dos preços e aumenta a incerteza entre produtores e compradores. Esses fatores logísticos se somam às já existentes preocupações com a demanda global, moldando um cenário complexo para a cadeia produtiva do cacau.
Desempenho dos preços de outras commodities agrícolas na Bolsa de Nova York
Além do cacau, outras commodities agrícolas tiveram variações significativas na sessão. O açúcar apresentou valorização de 0,73%, alcançando US$ 13,80 por libra-peso, influenciado pela alta de 3% no petróleo bruto que estimula a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, reduzindo a oferta do açúcar no mercado.
O suco de laranja sofreu queda acentuada de 4,66%, sendo cotado a US$ 1.780,50 por tonelada, enquanto o café arábica recuou 2,65%, com preço de US$ 2,904 por libra-peso, pressionado pela valorização do dólar, o que desencadeou liquidação de posições compradas.
O algodão, por sua vez, teve valorização de 0,92%, fechando em US$ 78,13 por libra-peso, sustentado pelo desempenho positivo do índice dólar e do petróleo, bem como por dados que apontam aumento nas vendas para exportação mesmo com volumes relativamente baixos.
Tendências e perspectivas para o mercado global de cacau e commodities agrícolas
A conjuntura atual do mercado global de cacau é marcada por incertezas na demanda e desafios logísticos, que afetam a confiança dos investidores e negociantes. A queda expressiva na moagem europeia sinaliza uma desaceleração no consumo, enquanto o crescimento na Ásia pode ser insuficiente para compensar totalmente essa tendência.
Os custos elevados decorrentes do cenário geopolítico, especialmente relacionados ao transporte e insumos, devem manter a volatilidade nos preços do cacau no curto prazo. Paralelamente, a influência dos preços do petróleo e do dólar nas outras commodities reforça a importância de variáveis macroeconômicas na determinação dos valores futuros.
Acompanhamento contínuo dos dados de produção, demanda e logística será essencial para entender as dinâmicas do mercado e orientar decisões estratégicas dos agentes envolvidos na cadeia produtiva do cacau e demais commodities agrícolas.
Fonte: cnnbrasil.com.br





