Análise revela crescimento de 1,3% no primeiro trimestre de 2026 apesar da desaceleração em março
A prévia do PIB indica crescimento de 1,3% no primeiro trimestre de 2026, apesar do recuo em março nos setores agropecuário, indústria e serviços.
Contexto geral da prévia do PIB em 2026
A prévia do PIB, avaliada pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apresentou recuo em março, mas o primeiro trimestre de 2026 fechou com crescimento de 1,3%. A economista Rita Mundim destaca que o desempenho mensal de março mostrou sinais de desaceleração nos setores agropecuário, industrial e de serviços, com quedas que refletem desafios conjunturais no país. Este dado inicial indica que, apesar das dificuldades, a economia nacional conseguiu manter um ritmo de crescimento no início do ano.
Desempenho dos setores produtivos em março
Em março, o setor agropecuário apresentou retração de 0,2%, enquanto a indústria também teve queda, e o setor de serviços recuou 0,8%. Esses números confirmam o relatório recente do IBGE, que registrou uma queda significativa de 1,2% no segmento de serviços. O desempenho negativo mensal sinaliza uma possível desaceleração temporária, que apesar de preocupar, não comprometeu o resultado geral positivo do trimestre.
Impacto das medidas fiscais adotadas pelo governo
O crescimento robusto de 1,3% no primeiro trimestre está ligado diretamente às políticas fiscalmente expansionistas implementadas pelo governo federal. Entre as principais ações estão a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5.000 mensais, o programa Gás do Povo, e o estímulo ao crédito, que aqueceram a demanda interna. Essas iniciativas foram fundamentais para sustentar o crescimento econômico em um cenário de incertezas.
Contradições entre política monetária e fiscal
Rita Mundim ressalta uma contradição central no atual cenário econômico: enquanto a política monetária permanece restritiva para conter a inflação, por meio da elevação da taxa básica de juros, as políticas fiscais continuam estimulando a demanda. Esta dualidade gera um efeito contraproducente, pois o objetivo de controlar a inflação é dificultado pela expansão fiscal. A economista aponta que a taxa de juros está cumprindo seu papel, porém poderia ser mais efetiva sem a contrapartida governamental.
Influência do contexto internacional nas expectativas do mercado
O início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, foi um ponto de inflexão nas expectativas econômicas. Antes dessa data, o mercado demonstrava otimismo, com projeções para cortes na taxa Selic. Após o confronto, as expectativas inflacionárias e de juros pioraram, o que levou o governo a ampliar os pacotes de estímulo, incluindo programas como o Desenrola 2.0 e crédito para motoristas de aplicativo. Essa situação evidenciou as dificuldades para equilibrar as políticas monetária e fiscal diante de um cenário externo adverso.





