Bank of America revisa para cima a taxa Selic e aponta pausa prolongada após único corte neste ano
O Bank of America projeta que a Selic terá apenas um corte em 2026, com taxa encerrando o ano em 14,25%, refletindo riscos inflacionários e câmbio.
Projeção Selic 2026 aponta apenas um corte e pausa prolongada
A projeção Selic 2026 do Bank of America revela que a taxa básica de juros do Brasil deve encerrar o ano em 14,25%, indicando apenas mais um corte em 2026 seguido por uma pausa prolongada. Essa atualização foi anunciada nesta sexta-feira (5) e reflete uma avaliação cautelosa diante dos riscos inflacionários crescentes, da atividade econômica sustentada por estímulos fiscais e da desvalorização do real. O economista David Beker, chefe de economia para Brasil do banco americano, destaca que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve sinalizar uma pausa na flexibilização por meio de mudança na comunicação, devido ao aumento da barreira para novos cortes e à intensificação dos retornos mais altos por um período prolongado.
Riscos inflacionários e câmbio pressionam taxas de juros
A revisão da projeção Selic 2026 considera um cenário macroeconômico significativamente menos favorável, marcado pela deterioração da dinâmica inflacionária e pela forte valorização do dólar em relação ao real. Essa desvalorização cambial, que já ultrapassa R$ 5,15, amplia a pressão sobre os preços internos, elevando a necessidade de juros elevados para conter a inflação. O banco ressalta que a atividade econômica continua aquecida graças a estímulos fiscais e crédito contínuo, o que fomenta a demanda e dificulta cortes mais expressivos na taxa Selic.
Impactos do fenômeno El Niño e mudanças na jornada de trabalho
Além dos fatores já observados, o Bank of America identifica riscos adicionais que podem influenciar a trajetória da inflação e, consequentemente, da Selic. O fenômeno climático El Niño ameaça as safras agrícolas de 2027, o que pode contribuir para a alta dos preços de alimentos. Também está no radar o impacto do fim da jornada de trabalho 6×1, que pode pressionar custos e remunerar salários, efeitos que ainda não foram incorporados às projeções atuais.
Cenário de juros altos por mais tempo e limitações para flexibilização
Diante desse contexto, o espaço para novas flexibilizações da política monetária está significativamente limitado. A projeção Selic 2026 do Bank of America reforça a expectativa de um patamar de juros elevados por um período estendido, com cortes adicionais requerendo condições econômicas muito mais favoráveis. Essa postura reflete a estratégia do Banco Central de manter a inflação próxima à meta de 3%, com tolerância máxima de até 4,5%, apesar dos desafios atuais.
Análise das revisões recentes das instituições financeiras
O Bank of America se juntou a outras instituições como XP Investimentos e BTG Pactual na revisão para cima das projeções da taxa Selic para 2026. Essas revisões refletem um entendimento comum de que os riscos inflacionários e a dinâmica cambial influenciam diretamente a trajetória dos juros no país. Essa convergência indica um consenso sobre a necessidade de cautela e manutenção de juros elevados para garantir a estabilidade econômica diante de cenários externos e internos desafiadores.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Arquivo





