PT vê medo dos Bolsonaro como fator decisivo na vitória de Lula

Campanha petista avalia que derrota do bolsonarismo superou desaprovação do governo entre eleitores

PT vê medo dos Bolsonaro como fator decisivo na vitória de Lula
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Ricardo Stuckert. — O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  • Foto: Ricardo Stuckert.

PT avalia que medo de retorno da família Bolsonaro foi decisivo para vitória no segundo turno. Campanha entende resultado como derrota do bolsonarismo e não consagração da esquerda.

O PT avalia que o medo difundido pela campanha de um retorno da família Bolsonaro ao poder foi o fator-chave para entender a vitória no segundo turno. Segundo a campanha petista, a possibilidade de perda de direitos, a ascensão de um político com histórico de envolvimento em irregularidades e a concentração inédita de poder em um grupo político dominante no Executivo, Legislativo e Judiciário foi crucial para o resultado.

De acordo com fonte próxima ao presidente, a interpretação é que o resultado representa uma derrota do bolsonarismo mais do que uma vitória da esquerda. Embora a taxa de desaprovação do governo continuasse alta, o receio da volta dos Bolsonaro ao poder superou esse fator entre os eleitores.

“Se se lê o resultado dessa forma, ou se erra com uma narrativa de autoelogio e falta de entendimento de que a população tem uma avaliação do governo distinta da do próprio governo”, avaliou a fonte próxima a Lula.

O presidente concordou com essa leitura em conversas internas, apontando que coube principalmente à juventude liderar o movimento para derrotar o bolsonarismo. A campanha entende que o mérito foi alertar a população para a possibilidade de retorno, gerando mobilização orgânica de milhares de pessoas nas ruas e redes sociais.

Lula sai das urnas com percepção diferente da que teve em 2022. Naquele momento, avaliava que o resultado era uma consagração pessoal. Agora, entende que se trata de uma derrota igualmente apertada do filho de Jair Bolsonaro. O presidente pretende fazer mais acenos ao centro político, mas sem necessariamente distorcer o projeto político à esquerda.

A aposta do governo agora é que o resultado aponte para os rumos do que deverá ser o governo Lula 4: com um Lula menos isolado, mais aberto a uma comunicação direta e digital com a população e com menos mediação da imprensa. O presidente quer se recompor com as lideranças políticas do Centrão que apoiaram Flávio no segundo turno, sem entregar a agenda completa ao grupo. Para a condução econômica, há interesse em nome com histórico de boa gestão das contas públicas, como Rafael Fonteles, governador do Piauí, cotado para o Ministério da Fazenda.

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