Fundador da Bridgewater aponta que oferta de papéis supera demanda, com China e Japão reduzindo posições em títulos americanos

Ray Dalio publicou novo alerta sobre excesso de ativos financeiros no mercado e redução da demanda por títulos americanos
Ray Dalio, fundador da Bridgewater, uma das maiores gestoras de fundos de investimento do mundo, publicou alerta nesta quarta-feira (14) sobre risco no mercado financeiro global. Segundo o investidor, a oferta de ativos financeiros, tanto de dívida quanto de ações, deve ser muito maior do que a demanda por eles.
A situação resulta em inundação de papéis à venda sem compradores suficientes para absorver todos, seguindo a lei básica da oferta e da demanda. Quando há mais títulos disponíveis do que interessados, o preço desses títulos cai e os juros exigidos para comprá-los sobem, conforme apontou Dalio.
A dívida americana em relação à receita do governo já é a maior desde a Segunda Guerra Mundial, segundo o fundador da Bridgewater. Três grupos principais disputam o mesmo capital no mercado. O governo americano financia déficits elevados e precisa rolar enormes vencimentos. Grandes empresas de inteligência artificial recorrem ao mercado de dívida em volume recorde para financiar investimentos. O mercado de ações também vive onda de ofertas públicas e captações.
Do outro lado, a demanda apresenta sinais de cansaço, segundo Dalio. China e Japão, dois dos maiores compradores de títulos americanos do mundo, deixaram de acumular e passaram a reduzir posições. O investidor chamou atenção especial para o Japão, que detém cerca de US$ 1,1 trilhão em Treasuries.
Dalio alertou que mais da metade desse valor está protegida contra variações cambiais. Uma eventual repatriação poderia desmontar operações de carry trade, em que investidores tomam dinheiro emprestado em ienes para aplicar em ativos pelo mundo.
Em entrevista em Singapura na semana passada, Dalio afirmou que estamos em um mercado de baixa dos títulos públicos. Segundo ele, ainda há mais pressão pela frente. Estamos numa fase do ciclo em que os juros sobem sem derrubar as bolsas, porque os lucros das empresas ainda crescem. Porém, essa “almofada” está diminuindo, e o fluxo de caixa livre tende a piorar mesmo com lucros em alta.



