Relatório revela ataques terroristas com cristãos como principais alvos na Nigéria

Gracious Adebayo/Unsplash.com

Dados mostram que grupos fulani causaram mais mortes entre cristãos do que Boko Haram e ISWAP de 2019 a 2025

Ataques terroristas na Nigéria entre 2019 e 2025 atingiram desproporcionalmente cristãos, mostra relatório sobre violência e milícias fulani.

Ataques terroristas na Nigéria impactam principalmente cristãos entre 2019 e 2025

Os ataques terroristas na Nigéria entre outubro de 2019 e setembro de 2025 tiveram cristãos como principais alvos, conforme revelou um relatório recente do Instituto Internacional para a Liberdade Religiosa (IIRF) e do Observatório da Liberdade Religiosa na África (ORFA). Durante esse período, 22.835 cristãos foram mortos, superando em muito as 10.519 mortes de muçulmanos. As milícias fulani, predominantemente muçulmanas, foram responsáveis por 44% das mortes de civis, enquanto grupos extremistas conhecidos como Boko Haram e ISWAP representaram apenas 12% das fatalidades civis.

Perfil das milícias fulani e sua influência na violência contra religiosos

As milícias fulani desempenham papel central na escalada da violência letal na Nigéria, especialmente contra a população cristã. Diferentemente dos grupos terroristas islâmicos Boko Haram e ISWAP, que buscam impor a lei islâmica, as milícias fulani operam principalmente no centro-norte do país, onde o Estado tem pouca presença e as forças de segurança praticamente ausentes. O relatório destaca que a rotulação oficial desses agressores como “bandidos” ou “homens armados desconhecidos” prejudica investigações, dificultando a responsabilização e o desarmamento desses grupos.

Impacto da ausência do Estado no aumento da violência e sequestros

A análise aponta que a ausência do Estado em regiões críticas da Nigéria contribui diretamente para o aumento da violência contra civis. As áreas com maior número de mortes não coincidem com a presença ativa das forças de segurança. Além das mortes, a violência inclui sequestros em grande escala: 34.917 pessoas foram sequestradas, sendo a maioria civis, com cristãos apresentando uma probabilidade 3,2 vezes maior de serem sequestrados quando ajustado à população local. Nos últimos três meses de 2025, os assassinatos cresceram 51% e os sequestros 153% em comparação com o mesmo período de 2024, indicando uma escalada preocupante da crise.

Contrastes nas narrativas oficiais e a importância do reconhecimento religioso da violência

O relatório confronta narrativas conflitantes sobre a violência na Nigéria. De um lado, há a caracterização de genocídio baseada em números não verificados; do outro, a recusa de reconhecer a dimensão religiosa da violência, atribuindo tudo à disputa por recursos e clima. Os dados mostram claramente que cristãos são mortos em taxas desproporcionais, 4,4 vezes maiores que o esperado para sua participação na população. A falta de reconhecimento da dimensão religiosa e a ausência de coleta sistemática de dados religiosos em organismos internacionais limita respostas eficazes e políticas públicas adequadas.

Recomendações para enfrentar a violência e promover a liberdade religiosa

O relatório recomenda que o governo nigeriano reconheça publicamente a natureza religiosa da violência e a responsabilidade das milícias fulani, distinguindo-as claramente de grupos como Boko Haram e ISWAP. Sugere a implementação de reformas estruturais, incluindo a proibição do discurso de ódio religioso e a incorporação da liberdade religiosa na Constituição. Investigações independentes e processos judiciais contra comandantes das milícias, além do reequilíbrio das forças de segurança e o financiamento do policiamento comunitário, são apontados como ações urgentes. Ademais, é recomendado que órgãos nacionais e internacionais incluam campos para identidade religiosa em seus relatórios para melhor monitoramento e intervenção.

Panorama geral da violência religiosa na Nigéria e efeitos para a população

Entre 2019 e 2025, o conflito na Nigéria resultou em mais de 42 mil civis mortos e quase 35 mil sequestrados, com uma média de sete ataques letais e dois ataques com sequestros por dia. O impacto sobre a população cristã é desproporcional, refletindo um padrão alarmante de perseguição religiosa. A pesquisa também evidencia que a violência não é apenas motivada por disputas por recursos, mas envolve dimensões étnicas e religiosas complexas que exigem respostas políticas e humanitárias específicas. O agravamento da situação em 2025 ressalta a urgência de novas estratégias para proteger as comunidades vulneráveis e garantir a liberdade de crença.

Fonte: folhagospel.com

Fonte: Gracious Adebayo/Unsplash.com

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress