Santander prevê crescimento de 1,3% para Brasil em 2027 sem ajuste fiscal

Economista-chefe da instituição alerta que país pode ficar atrás de Chile, Peru e Argentina se não resolver problema da dívida pública

Santander prevê crescimento de 1,3% para Brasil em 2027 sem ajuste fiscal
Presidente Lula em coletiva durante eleições. Foto: Agência O Globo

Economista-chefe do Santander Brasil projeta crescimento de apenas 1,3% para 2027 caso país não implemente reformas fiscais, deixando economia atrás de vizinhos latinoamericanos.

O Santander Brasil projeta que a economia brasileira pode crescer apenas 1,3% em 2027 caso não seja implementado ajuste fiscal, segundo avaliação apresentada pelo economista-chefe Marco Caruso nesta quarta-feira (5 de novembro), durante o XXII Encontro Santander América Latina, realizado em Madri. A projeção para 2026 é de crescimento de 1,8%.

Caruso foi nomeado economista-chefe do Santander Brasil nesta quarta-feira. Segundo ele, o cenário para 2027 dependerá de como se comportará o mercado financeiro após as eleições.

O economista destaca que houve reação abrupta da curva de juros futuros após o pleito eleitoral. Ele alerta que a curva de juros é determinante para crédito no Brasil.

“A curva de juros é bem importante no Brasil, porque determina crédito. Essa projeção de crescimento de 1,3% para 2027 tem um risco bem para baixo por conta do que a gente está vendo, principalmente na curva de juros. E de onde vem o grande desafio brasileiro? Tem uma música brasileira famosa, que é o Samba de Uma Nota Só, que serve para o Brasil. No curto prazo, o principal problema é o fiscal, o fiscal, o fiscal”, declarou Caruso.

Se confirmada, a projeção de 1,3% deixará o Brasil atrás de Chile (3,5%), Peru (3,2%), Argentina (2,7%), Colômbia (2%) e México (1,7%), segundo estimativas de crescimento dos economistas do Santander que acompanham a América Latina.

Países como Argentina e Chile, que implementaram reformas fiscais recentes, apresentam as maiores previsões de crescimento da região. No Chile, o presidente José Antonio Kast, que tomou posse em março passado, colocou como prioridades sanear as finanças públicas, obter carga tributária mais competitiva e simplificar procedimentos para empreendedores. A Lei de Reconstrução Nacional e Desenvolvimento Econômico e Social reduziu a taxa de imposto corporativo de 27% para 23%.

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