Selic está alta, mas economia brasileira mantém resiliência e inflação permanece pressionada

Fernanda Luz

Presidente do Banco Central Gabriel Galípolo destaca desafios da política monetária diante de choques globais e valorização do real

Galípolo ressalta que Selic alta mantém economia resiliente, com inflação pressionada e real valorizado frente a choques globais.

Na audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, realizada em 19 de fevereiro de 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a Selic está bastante restritiva, mas a economia brasileira continua resiliente e a inflação pressionada. Segundo ele, indicadores como desemprego baixo e crescimento da renda acima da inflação e da produtividade confirmam a resistência do mercado interno mesmo em cenário de juros elevados.

Desafios para normalizar canais da política monetária e fiscal

Galípolo enfatizou que o principal desafio da atual geração econômica é a normalização dos canais de transmissão da política monetária e fiscal. Ele explicou que, diferentemente do Plano Real, que conseguiu controlar a inflação com medidas pontuais, o cenário atual é mais complexo e demanda uma série de reformas contínuas. Isso visa permitir que o Banco Central possa eventualmente reduzir a taxa de juros sem perder eficácia no controle inflacionário.

Impacto dos choques globais recentes na economia brasileira

O presidente do Banco Central destacou que o Brasil enfrentou quatro grandes choques de oferta recentes: a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia, a alta das tarifas e, mais recentemente, o conflito no Oriente Médio. Esses eventos aumentaram os preços de diversos setores e criaram novos desafios para a política econômica, influenciando a inflação e as decisões monetárias.

Valorização do real impulsionada por fatores externos e internos

Galípolo comentou que o real é atualmente a moeda que mais se valoriza não só em relação às moedas dos países emergentes, mas também frente às moedas de economias avançadas. Essa valorização é atribuída ao fato do Brasil ser exportador líquido de petróleo e ao diferencial da taxa de juros interna. Além disso, o comportamento regional das moedas latino-americanas tem surpreendido, pois em momentos de aversão a risco, elas têm se apreciado, o que é uma novidade para o cenário financeiro.

Cenário externo e oportunidades para o Brasil

Apesar da valorização do dólar motivada pelo otimismo do mercado com ganhos de produtividade relacionados à inteligência artificial e a curva de juros norte-americana estável, o Brasil se beneficia duplamente. Quando o conflito no Oriente Médio se intensifica, o país é visto como porto seguro devido à sua condição de exportador líquido de petróleo. E quando a situação se acalma, o Brasil permanece atrativo pelas condições econômicas internas, especialmente seu diferencial de juros.

Perspectivas para política econômica brasileira diante dos desafios atuais

A análise de Gabriel Galípolo aponta para a necessidade de reformas estruturais para permitir que a política monetária opere com taxas de juros mais baixas, garantindo eficácia no controle da inflação sem prejudicar a atividade econômica. Esse cenário exige um equilíbrio delicado entre ações internas e resposta às pressões externas, que impactam diretamente o desempenho da economia e a estabilidade financeira do país.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Fernanda Luz

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress