Senado limita acesso ao aborto para crianças e adolescentes

Projeto suspende resolução do Conanda que permitia aborto legal em casos específicos envolvendo menores de 14 anos

Senado limita acesso ao aborto para crianças e adolescentes
Damares Alves durante sessão no Senado. Foto:

Senado aprova decreto legislativo que suspende resolução do Conanda sobre aborto legal para crianças e adolescentes.

O Senado aprovou nesta terça-feira (2) o projeto de decreto legislativo que suspende a resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre o aborto legal em casos envolvendo menores de 14 anos. A medida, que já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 2025, restringe o acesso à interrupção de gravidez em situações como estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal.

Detalhes da resolução do Conanda que foi suspensa

A resolução do Conanda autorizava a interrupção da gravidez em casos específicos, garantindo atendimento rápido e sigiloso às vítimas de violência sexual, além da capacitação de profissionais para identificar tais casos. Com a aprovação do decreto legislativo, essas disposições deixaram de vigorar, eliminando diretrizes que amparavam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Argumentos da relatora senadora Damares Alves na tramitação

Damares Alves, relatora do projeto e senadora pelo Distrito Federal, afirmou que o Conanda ultrapassou suas atribuições ao estabelecer normas que deveriam passar por deliberação do Poder Legislativo. Segundo ela, o conselho foi criado para acompanhar e formular políticas públicas, mas não para criar ou restringir direitos já previstos em lei pelo Congresso Nacional.

Impactos do decreto legislativo no acesso ao aborto legal para menores

A suspensão da resolução do Conanda pode dificultar o acesso de crianças e adolescentes a serviços de aborto legal em situações previstas anteriormente, alterando o atendimento em casos de violência sexual e risco à vida. A medida traz debate sobre o papel de órgãos colegiados na definição de políticas voltadas à infância e juventude e as competências legislativas envolvidas.

Contexto político e legal da aprovação do decreto

O decreto legislativo aprovado pelo Senado entra em vigor automaticamente, já que não requer sanção presidencial. Essa decisão reflete a atuação conjunta entre a Câmara e o Senado em temas sensíveis relacionados à infância, adolescência e direitos reprodutivos, demonstrando a complexidade das discussões sobre legislação e proteção social no país.

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