Investigação aponta uso de recursos públicos da Prefeitura de São Paulo para financiamento irregular do longa Dark Horse
Operação da Polícia Civil apura suspeitas de desvio de verba pública da Prefeitura de São Paulo para financiar filme sobre Jair Bolsonaro.
Suspeitas de desvio motivaram operação contra produtora em São Paulo
A investigação sobre suspeitas de desvio envolvendo a produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou novo capítulo em São Paulo nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026. A Polícia Civil cumpriu sete mandados de busca e apreensão relacionados a contratos firmados entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada a Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment Ltda. As autoridades apuram supostas irregularidades na contratação para um programa de instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas da cidade.
Contrato com a prefeitura e supostas irregularidades no programa Wi-Fi Livre
O ICB foi contratado pela Prefeitura de São Paulo para instalar e manter pontos de internet gratuitos em áreas periféricas da capital paulista. O Ministério Público de São Paulo solicitou a investigação após identificar indícios de irregularidades no chamamento público que resultou na contratação exclusiva do ICB. A Polícia Civil destaca que o instituto não possui experiência técnica no setor de comunicação, tendo histórico restrito à organização de eventos literários e religiosos. O Termo de Colaboração firmado com a prefeitura apresentava valores mensais de R$ 1.800 por ponto instalado, o que representa um custo 3,3 vezes maior do que o cobrado pela empresa pública municipal de tecnologia.
Descumprimento de metas e pagamentos antecipados questionados
O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi até junho de 2025, mas apenas 3,2 mil foram efetivamente instalados. A prefeitura antecipou pagamentos de R$ 26 milhões, mesmo com a entrega incompleta e funcionamento de apenas seis pontos no período inicial. A análise preliminar indica descumprimento grave das metas e uma discrepância entre os valores pagos e os serviços prestados, o que reforça a suspeita de desvio de recursos públicos.
Suspeita de financiamento cruzado do filme Dark Horse com recursos públicos
Além das irregularidades no programa Wi-Fi Livre, a investigação aponta para possível financiamento ilícito do filme Dark Horse usando verba pública destinada ao ICB. O custo do longa-metragem é estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, valor que, segundo a apuração, poderia ter sido parcialmente financiado com recursos desviados do contrato com a Prefeitura. Karina Ferreira da Gama controla diretamente a produtora responsável pelo filme, o que levanta suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados na produção.
Posicionamento da Prefeitura de São Paulo sobre as investigações
Em nota oficial, a Prefeitura de São Paulo afirmou que está colaborando com as investigações e que todos os documentos requisitados foram encaminhados às autoridades. A gestão de Ricardo Nunes ressaltou que o programa Wi-Fi Livre segue operando normalmente e que os valores contratados correspondem ao serviço prestado, destacando que o processo seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade. A prefeitura também informou que o chamamento público foi aberto em 2024, antes do início da produção do filme, e que os custos atuais contratados são inferiores às propostas anteriores.
Impactos e desdobramentos esperados da operação policial
A operação da Polícia Civil contra a produtora responsável pelo filme Dark Horse reflete um aprofundamento nas investigações sobre a gestão de recursos públicos na capital paulista. A apuração pode gerar desdobramentos importantes no combate a fraudes e desvios em contratos públicos, impactando diretamente a transparência e o controle social sobre programas municipais. Além disso, o caso chama atenção para a complexidade das relações entre produções culturais e financiamento público, sobretudo em obras com forte conotação política.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Karina Ferreira da Gama / Instagram





