Entenda como terras raras, minerais estratégicos e críticos influenciam a economia e a geopolítica brasileira
Terras raras e minerais estratégicos têm papel essencial na economia e geopolitica do Brasil, destacando reservas e desafios na cadeia produtiva.
Diferenças entre terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos
Terras raras e minerais estratégicos são temas centrais na economia global e na geopolítica contemporânea, especialmente no Brasil. Terras raras e minerais estratégicos desempenham papéis distintos, embora relacionados, e são essenciais para tecnologias de ponta e para a transição energética. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), terras raras compreendem 17 elementos químicos, incluindo 15 lantanídeos, escândio e ítrio, que, apesar do nome, não são necessariamente raros, mas sua dispersão dificulta a exploração econômica.
Minerais estratégicos são aqueles fundamentais para o desenvolvimento econômico e aplicados em setores de alta tecnologia, defesa e energia. Já minerais críticos apresentam riscos no suprimento devido a fatores como concentração geográfica, instabilidade geopolítica e dificuldades de substituição. Essa distinção torna a definição desses minerais variável conforme o contexto nacional e internacional.
Reservas do Brasil e sua posição global em minerais estratégicos
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas, representando cerca de 23% das reservas globais conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Estas reservas estão concentradas principalmente em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
Além disso, o país lidera mundialmente em reservas de nióbio, com 94% do total, totalizando 16 milhões de toneladas, é o segundo maior em grafita, com 74 milhões de toneladas, e ocupa o terceiro lugar em níquel, com 16 milhões de toneladas. Essa posição estratégica torna o Brasil um ator importante no mercado global de minerais essenciais.
Desafios na cadeia produtiva brasileira de minerais
Apesar das abundantes reservas, o Brasil enfrenta desafios significativos na cadeia produtiva dos minerais estratégicos. O beneficiamento e o refino dessas substâncias ainda são pouco desenvolvidos, o que obriga o país a importar produtos com maior valor agregado e manter um padrão de dependência semelhante ao histórico de exportação de matérias-primas.
O professor Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que o Brasil permanece como um país primário-exportador, consumindo pouco internamente e exportando grande parte de seus minerais. Tal dinâmica limita a capacidade do país de aproveitar plenamente suas reservas minerais para geração de valor e desenvolvimento tecnológico.
Impactos socioambientais da mineração de minerais estratégicos
A mineração de terras raras e minerais estratégicos acarreta impactos ambientais e sociais significativos. A exploração mineral afeta recursos hídricos, provoca degradação ambiental e pode intensificar desigualdades e violência nas regiões mineradoras.
Especialistas ressaltam que não existe mineração totalmente sustentável, e mesmo métodos menos degradantes continuam a causar grandes alterações no meio ambiente, como desmontes de montanhas e afetamento de cursos de água. O modelo atual é considerado insustentável, exigindo reflexão cuidadosa sobre o equilíbrio entre aproveitamento econômico e preservação ambiental.
Geopolítica global e o papel estratégico do Brasil
Na geopolítica mundial, a liderança chinesa na produção e refino de terras raras gera preocupações e incentiva outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, a diversificar suas fontes. Nesse contexto, o Brasil surge como um fornecedor estratégico devido às suas vastas reservas.
Contudo, para que o país amplie sua influência, é fundamental superar os gargalos na cadeia produtiva, agregando valor aos minerais extraídos. A capacidade de desenvolver tecnologias locais de beneficiamento e refino será determinante para elevar o Brasil a um papel de destaque na disputa global por recursos minerais essenciais para o futuro tecnológico e energético.
Fonte: www.infomoney.com.br
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