Tesouro vende R$ 33,3 bilhões em títulos no maior leilão desde 2020

Governo aproveitou queda de juros futuros impulsionada pela expectativa de política fiscal mais austera a partir de 2027

Tesouro vende R$ 33,3 bilhões em títulos no maior leilão desde 2020
Notas de real. Foto: Imagem gerada por IA — Foto:   • Imagem gerada por IA

Tesouro Nacional vendeu R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados nesta quinta-feira (8), aproveitando queda dos juros futuros

O Tesouro Nacional vendeu R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados nesta quinta-feira (8), alcançando o maior leilão desde dezembro de 2020.

A operação aproveitou a forte queda dos juros futuros provocada pela expectativa de mudança na política fiscal a partir de 2027 e pela perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais. Desde o primeiro turno, o mercado passou a apostar em uma política fiscal mais austera, com maior espaço para reformas e contenção de despesas, especialmente diante da composição mais favorável à direita no Congresso.

Essa expectativa reduziu os prêmios de risco exigidos pelos investidores e permitiu ao Tesouro captar recursos a taxas menores. No leilão, foram vendidos todos os 35 milhões de LTNs (Letras do Tesouro Nacional) ofertados e cerca de 5,8 milhões dos 7 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional série F).

“A demanda robusta com absorção plena dos títulos aponta que os investidores dão credibilidade ao governo de honrar seus compromissos no futuro e, claro, já esperando pela queda sistemática da taxa de juros, têm maior propensão a comprar títulos antes do recuo mais pronunciado no futuro próximo”, afirma Eduardo Velho, economista-chefe e sócio da Bravonte Capital.

Segundo Velho, o Tesouro acertou ao aproveitar o momento de mercado, quando o risco de uma nova elevação dos prêmios exigidos pelos investidores estava significativamente reduzido. O economista projeta dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, em novembro e dezembro, levando a taxa a 13,25% ao ano, e uma trajetória de queda até a faixa de 11,5% em 2027.

Apesar do volume expressivo, o Tesouro evitou concentrar a operação nos vencimentos mais longos. A maior parte dos títulos vendidos vence até janeiro de 2031, reduzindo a exposição dos investidores às oscilações das taxas de longo prazo. Medido pelo DV01, indicador que estima o impacto de uma variação de um ponto-base nas taxas de juros sobre o valor dos títulos, o risco distribuído foi apenas o terceiro maior do ano.

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