TSE suspende canal do Exército do Lula após ordem de Nunes Marques

Decisão é revertida horas depois por ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Canal administrado por André Janones contabilizava 8,4 milhões de encaminhamentos em outubro

TSE suspende canal do Exército do Lula após ordem de Nunes Marques
André Janones durante campanha eleitoral em 2026

Presidente do TSE Nunes Marques suspendeu canal no WhatsApp a pedido de Flávio Bolsonaro, mas corregedor-geral reverteu decisão horas depois

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, mandou suspender o canal “Exército do Lula” no WhatsApp no domingo (11) a pedido do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Porém, poucas horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a decisão e autorizou o funcionamento do canal.

O mecanismo combinava controle centralizado e distribuição pelos próprios inscritos. Apenas o administrador publicava no canal; aos seguidores cabia receber as chamadas “missões” e executá-las em outras redes e grupos. Segundo levantamento anexado à argumentação favorável à suspensão, Janones divulgava uma postagem e orientava a audiência a curtir, comentar, compartilhar e espalhar o endereço pelo WhatsApp.

A disciplina foi explicitada em transmissão de 8 de outubro, conforme transcrito no documento: “Comando único. Todo mundo fala a mesma coisa”. Em seguida, o deputado cobrava obediência e antecipava objeções: “Ah, Janones, mas aí você tá falando para eu agir igual um robô. Sim, é só 15 dias”. Outra orientação era compartilhar antes de assistir ao conteúdo.

O método dispensava automação tecnológica. As pessoas eram convocadas a cumprir tarefas repetitivas sob orientação de uma única fonte. Essa combinação de comando, ataques e multiplicação coordenada sustenta a comparação política com “gabinete do ódio” ou “milícia digital”, atribuídas no passado à campanha de Jair Bolsonaro (PL).

O monitoramento apresentado no dossiê, referente ao período de 8 de setembro a 11 de outubro, contabiliza 1.156 mensagens, 214 áudios e 33 vídeos. Aponta ainda 199 ordens à “tropa” e 8,4 milhões de encaminhamentos. Segundo o documento, o canal passou de aproximadamente 53 mil inscritos em 5 de outubro para números maiores. Os números apresentados provêm do levantamento que defendia a suspensão, não de auditoria independente; encaminhamentos e reproduções também não correspondem a pessoas únicas.

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