Decisão é revertida horas depois por ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Canal administrado por André Janones contabilizava 8,4 milhões de encaminhamentos em outubro

Presidente do TSE Nunes Marques suspendeu canal no WhatsApp a pedido de Flávio Bolsonaro, mas corregedor-geral reverteu decisão horas depois
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, mandou suspender o canal “Exército do Lula” no WhatsApp no domingo (11) a pedido do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Porém, poucas horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a decisão e autorizou o funcionamento do canal.
O mecanismo combinava controle centralizado e distribuição pelos próprios inscritos. Apenas o administrador publicava no canal; aos seguidores cabia receber as chamadas “missões” e executá-las em outras redes e grupos. Segundo levantamento anexado à argumentação favorável à suspensão, Janones divulgava uma postagem e orientava a audiência a curtir, comentar, compartilhar e espalhar o endereço pelo WhatsApp.
A disciplina foi explicitada em transmissão de 8 de outubro, conforme transcrito no documento: “Comando único. Todo mundo fala a mesma coisa”. Em seguida, o deputado cobrava obediência e antecipava objeções: “Ah, Janones, mas aí você tá falando para eu agir igual um robô. Sim, é só 15 dias”. Outra orientação era compartilhar antes de assistir ao conteúdo.
O método dispensava automação tecnológica. As pessoas eram convocadas a cumprir tarefas repetitivas sob orientação de uma única fonte. Essa combinação de comando, ataques e multiplicação coordenada sustenta a comparação política com “gabinete do ódio” ou “milícia digital”, atribuídas no passado à campanha de Jair Bolsonaro (PL).
O monitoramento apresentado no dossiê, referente ao período de 8 de setembro a 11 de outubro, contabiliza 1.156 mensagens, 214 áudios e 33 vídeos. Aponta ainda 199 ordens à “tropa” e 8,4 milhões de encaminhamentos. Segundo o documento, o canal passou de aproximadamente 53 mil inscritos em 5 de outubro para números maiores. Os números apresentados provêm do levantamento que defendia a suspensão, não de auditoria independente; encaminhamentos e reproduções também não correspondem a pessoas únicas.



