Após polêmica envolvendo Vini Jr., Uefa adota decisão contrária à nova regra da IFAB
Uefa decide que jogadores cobrirem a boca não levará expulsão automática, diverge da regra da IFAB vigente na Copa do Mundo 2026.
Uefa revê regra e libera jogadores para cobrirem a boca durante jogos
A Uefa anunciou em 2 de julho de 2026 que não seguirá a nova regra da International Football Association Board (IFAB) que previa expulsão automática para jogadores cobrirem a boca em campo. A decisão da entidade, responsável por competições como a Champions League, Europa League e Conference League, ocorre após o incidente com o jogador Vini Jr., que denunciou racismo de um adversário durante um jogo da Champions League.
O presidente da arbitragem da Uefa apontou que os árbitros terão autonomia para avaliar cada situação individualmente. Em vez da expulsão automática, eles poderão utilizar cartão amarelo para jogadores que cubram a boca, visando uma análise mais contextualizada dos eventos.
Contexto da regra da IFAB e casos recentes
A International Football Association Board criou a regra em abril de 2026 para coibir situações onde atletas escondem as palavras durante discussões, dificultando a identificação de ofensas, especialmente aquelas que envolvam racismo. A norma foi motivada diretamente pelo episódio entre Vini Jr. e o argentino Prestianni.
Na Copa do Mundo de 2026, que adotou a regra globalmente, dois jogadores já foram expulsos por essa infração: Miguel Almirón, do Paraguai, e Hincapié, do Equador. Porém, a aplicação automática do cartão vermelho tem gerado debates sobre a adequação da medida, pois nem todos os casos são de confrontos graves.
Impactos da decisão da Uefa no futebol europeu
Ao não aplicar a expulsão automática, a Uefa busca equilibrar rigor disciplinar com o contexto do jogo. O objetivo é evitar punições que possam influenciar desproporcionalmente o resultado das partidas, especialmente em casos onde o ato de cobrir a boca não está associado a ofensas claras ou agressivas.
Essa flexibilidade pode gerar um precedente para outras confederações, que deverão avaliar o impacto da regra em suas competições e considerar ajustes para garantir justiça e transparência nas decisões disciplinares.
Desafios para a arbitragem e a interpretação da regra
A norma da IFAB mantém o cartão vermelho para casos evidentes de confronto entre atletas de times diferentes, mas a subjetividade na interpretação gera insegurança entre árbitros. Pierluigi Collina, chefe de arbitragem da Fifa, destacou que conversas amigáveis não devem ser punidas, mas confrontos graves devem ser coibidos.
Assim, a Uefa aposta em uma abordagem menos automática e mais analítica, o que exige maior preparo e critério da equipe de arbitragem para julgar essas situações complexas.
Consequências para o combate ao racismo no futebol
O episódio envolvendo Vini Jr. evidenciou a dificuldade de punir comportamentos racistas quando os atletas tentam ocultar suas palavras. A mudança da Uefa pode ser vista como uma tentativa de evitar injustiças, mas também levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas contra o racismo no esporte.
Especialistas afirmam que a transparência e o uso de recursos tecnológicos podem ser fundamentais para identificar e coibir esses atos sem depender exclusivamente da interpretação do gesto de cobrir a boca.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Eric Verhoeven/Soccrates/Getty Images


