Wagner diz que dinheiro apreendido vem de diárias não gastas

O senador Jaques Wagner (PT-BA)  • Carlos Moura/Agência Senado

Senador do PT responde a operação da PF que encontrou moeda estrangeira em sua residência e questiona imóvel de R$ 2,4 milhões

Wagner diz que dinheiro apreendido vem de diárias não gastas
Senador Jaques Wagner em evento oficial. Foto: Carlos Moura/Agência Senado — Foto: O senador Jaques Wagner (PT-BA)  • Carlos Moura/Agência Senado

Líder do governo no Senado contesta apreensão de valores em dólar e euro, alegando origem em diárias legais de missões internacionais não utilizadas.

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder da bancada governista no Senado Federal, apresentou explicações sobre os valores em moeda estrangeira apreendidos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), argumentando que os recursos provêm de diárias legalmente adquiridas durante suas atividades diplomáticas.

Durante a execução de mandados de busca autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, agentes encontraram aproximadamente 55 mil dólares e 33 mil euros nas residências do senador. Em comunicado divulgado à imprensa, Wagner descreveu a investigação como processual e garantiu sua disposição em colaborar plenamente com as autoridades.

Origem dos valores questionados pela operação

O parlamentar petista afirma que o numerário apreendido refere-se estritamente a diárias declaradas formalmente junto aos órgãos competentes, destinadas a deslocamentos internacionais em caráter oficial. Segundo sua assessoria, tais valores não foram gastos durante as respectivas missões, sendo mantidos em espécie conforme suas alegações.

Esta argumentação emerge em contexto de investigação que apura possível participação de agentes públicos em irregularidades financeiras envolvendo a instituição bancária Master. A operação, batizada como Compliance Zero, expandiu-se para dezoito mandados de busca simultâneos, além de medidas restritivas como suspensão de passaportes e impedimento de comunicação entre os investigados.

O imóvel que não integra o patrimônio declarado

Além da questão do dinheiro em espécie, a investigação apontou que Wagner e seus familiares teriam recebido um apartamento de expressivo valor. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria disponibilizado o imóvel, cuja avaliação ultrapassa 2,4 milhões de reais. O senador repudia categoricamente essa informação, asseverando que tal bem nunca compôs sua base patrimonial oficial.

Em seu posicionamento, Wagner nega qualquer ação em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira. Essa negativa insere-se na estratégia de defesa contra as acusações que fundamentam a investigação em andamento.

Tranquilidade na condução das investigações

Em tom de conformidade processual, o líder do governo afirmou acompanhar o progresso das diligências com serenidade, manifestando confiança na imparcialidade da condução investigativa. Wagner enfatizou que não possui status de réu em nenhum processo relacionado aos fatos examinados, nem foi objeto de denúncia formal.

A operação examina crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A autorização do magistrado do tribunal superior para sua execução marca ponto relevante na sequência de procedimentos que envolvem agentes da administração federal.

Retórica da disponibilidade institucional

O senador encerrou sua manifestação reafirmando sua disposição irrestrita para prestar esclarecimentos adicionais sempre que demandado pelas autoridades investigativas. Wagner deposita expectativa na prevalência da verdade factual conforme o desenrolar dos procedimentos.

Este posicionamento busca estabelecer narrativa de transparência e cooperação voluntária com as instituições, estratégia comunicacional comum em contextos onde personalidades públicas enfrentam questionamentos investigativos de natureza complexa e potencialmente prejudicial à reputação e carreira política.

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