Governo brasileiro prepara estrutura para implementação e acompanha efeitos no setor produtivo após acordo de livre comércio
O acordo Mercosul-UE entra em vigor focando na divulgação para setores produtivos e monitoramento dos impactos econômicos no Brasil.
Mercosul-UE entra em vigor e inicia fase de implementação oficial
O acordo Mercosul-UE, negociado ao longo de 26 anos, entrou em vigor oficialmente em 1º de fevereiro de 2026. A partir desta data, tem início a etapa de implementação que definirá os prazos e formas com que os impactos do tratado chegarão ao setor produtivo brasileiro. A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, é uma das principais autoridades envolvidas no processo.
Estratégias do governo para operacionalização e divulgação do acordo
O governo federal concentra esforços em três frentes essenciais para a consolidação do acordo: a operacionalização dos sistemas aduaneiros e fiscais, a divulgação ativa das oportunidades para o setor privado e o monitoramento constante dos impactos econômicos. A operacionalização envolve a atualização de sistemas para aplicar as novas tarifas zeradas e a criação de comitês e pontos focais responsáveis por temas específicos ligados ao acordo.
Já a divulgação busca informar setores beneficiados sobre as vantagens de exportação e importação com tarifas reduzidas, estimulando o uso efetivo dessas oportunidades pelo setor produtivo. Tatiana Prazeres ressalta que segmentos como o setor de móveis já esperam ganhos em curto prazo, destacando a importância do engajamento das empresas para a obtenção dos benefícios comerciais.
Impactos econômicos estimados e projeções para o Brasil
De acordo com cálculos oficiais, o acordo entre Mercosul e União Europeia pode gerar um impacto positivo de 0,34% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o equivalente a cerca de R$ 37 bilhões. O aumento no investimento está estimado em 0,76%, ou R$ 13,6 bilhões, enquanto prevê-se uma redução de 0,56% nos preços ao consumidor e uma elevação de 0,42% nos salários reais.
Quanto às trocas comerciais, projetam-se incrementos de 2,46% nas importações — aproximadamente R$ 42,1 bilhões — e de 2,65% nas exportações, o que representa R$ 52,1 bilhões. Tais números foram obtidos a partir de simulações com modelos de equilíbrio geral dinâmico recursivo (GTAP-RD), com base no ano referência 2023 e projeções até 2044.
Produtos beneficiados com tarifas zeradas e repercussão para o setor produtivo
Com a vigência do acordo, cerca de 5 mil produtos exportados pelo Brasil à União Europeia terão suas tarifas zeradas, o que corresponde a aproximadamente metade do universo tarifário atualmente aplicado. Do lado das importações, cerca de mil itens provenientes da Europa também estarão isentos de tarifas, facilitando o acesso a insumos e mercadorias.
Essa redução tarifária imediata pode favorecer diversos setores produtivos, ampliando a competitividade e promovendo maior integração econômica entre as regiões. O governo reforça que o aproveitamento dessas oportunidades dependerá da capacidade de adaptação e atuação do setor privado diante do novo cenário comercial.
Monitoramento contínuo para garantir eficácia e ajustes necessários
Além da implementação técnica e divulgação, o governo brasileiro estabeleceu mecanismos para o monitoramento dos efeitos do tratado. Esse acompanhamento visa medir os impactos efetivos na economia, assegurar o cumprimento das metas e identificar eventuais ajustes para maximizar os benefícios do acordo.
A atuação dos pontos focais e dos comitês de governança será essencial para garantir transparência e agilidade nas decisões relacionadas à execução do acordo. Essa estrutura também permitirá responder a desafios específicos e facilitar o diálogo entre os países envolvidos, promovendo um ambiente favorável ao comércio bilateral sustentável e vantajoso.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Bandeiras do Mercosul e da União Europeia (UE)





