Sébastien Migné aponta coincidência com passado e mantém esperança de avançar na Copa do Mundo

Comandante da seleção haitiana identifica sinais positivos para enfrentar Brasil e cita precedente histórico da quadrienal passada.
O técnico Sébastien Migné do Haiti enxerga em Neymar fora do jogo uma abertura tática para surpreender o Brasil na Copa do Mundo 2026, marcada para 21h30 desta quinta-feira em partida que pode representar um marco para a seleção caribenha. O comandante identificou uma coincidência envolvendo o craque brasileiro que alimenta esperança entre os haitianos.
Precedente do Camarões em Copa anterior
Migné traz consigo experiência acumulada de seu período como auxiliar técnico do Camarões, quando testemunhou a seleção africana vencer o Brasil por 1 a 0 em confronto durante a Copa anterior. Na ocasião, Neymar não pôde participar, seja por suspensão ou lesão—detalhe que o técnico não recorda com precisão, mas que reforça seu otimismo para o próximo duelo.
“Eu vejo um sinal, há quatro anos, quando eu treinava o Camarões, o Neymar não pôde jogar. Não lembro porque, se foi suspensão ou lesão, então vejo um sinal positivo. A gente vai tentar aproveitar a oportunidade para entrar para história”, afirmou o treinador, repetindo a palavra história em diferentes contextos durante sua coletiva de imprensa.
O peso histórico para a nação haitiana
O Haiti retorna a uma Copa do Mundo após 52 anos de ausência, transformando o confronto com os brasileiros em evento de proporções imensuráveis para o povo caribenho. Migné ressaltou que seus jogadores carregam responsabilidade de representar uma nação com limitações econômicas e sociais, mas que encontra no futebol espaço para celebração e orgulho.
“Faz 52 anos que não estávamos na Copa e amanhã vamos ter o marco histórico de jogar com o Brasil. Agora, vamos ter de ficar à altura, porque os fãs haitianos nos esperam e é essa mensagem que eu vou passar para os meus jogadores”, reforçou o técnico, indicando que a missão vai além de vencer ou apenas não perder.
Desempenho anterior contra a Escócia
Migné destacou que o Haiti demonstrou performance satisfatória em partida anterior contra a Escócia, jogando de forma que ofereceu boa imagem ao público. O técnico acredita que o duelo com o Brasil oferecerá vitrine ainda mais importante para expor o potencial da equipe e justificar a confiança depositada pelos torcedores haitianos.
“Mostramos uma boa imagem contra a Escócia. A vitrine de amanhã será ainda mais bonita para mostrarmos o que a gente pode fazer”, comentou o comandante, apontando para expectativa de crescimento tático e técnico da seleção.
Emoção e contexto nacional
O treinador refletiu sobre o significado pessoal e coletivo de ocupar cargo de responsabilidade em seleção nacional, especialmente quando se trata de país que enfrenta desafios maiores fora do esporte. Migné mencionou que a profissão de técnico existe para vivenciar momentos de alta intensidade emocional, e que para haitianos, o futebol representa uma das poucas plataformas de alegria em cenário geralmente adverso.
“Seria uma loucura total no Haiti. Quando a gente se lança nessa profissão é para viver esse tipo de emoção. Diria que quando a gente é haitiano, a gente tem mais momento difícil do que fácil e o futebol nos oferece para viver grandes emoções amanhã”, encerrou Migné, sublinhando o caráter gigante do desafio pela frente.
A partida ocorrerá na Filadélfia, nos Estados Unidos, e representará teste definitivo da capacidade haitiana de competir no mais alto nível do futebol mundial, independentemente da presença ou ausência de estrelas individuais do lado brasileiro.





