Método intercultural usa artesanatos Avá Guarani para tornar matemática mais acessível e significativa
Iniciativa no Colégio Indígena Teko Ñemoingo usa cultura Avá Guarani para ensinar ensino de geometria e trigonometria com grafismos e artesanatos.
Ensino de geometria e trigonometria integrado à cultura Avá Guarani em São Miguel do Iguaçu
O ensino de geometria e trigonometria no Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, localizado na Reserva Indígena Santa Rosa do Ocoy em São Miguel do Iguaçu, ganhou novos contornos a partir de 2023, com a docente Midiã Barbosa desenvolvendo uma metodologia que utiliza grafismos e artesanatos indígenas para transmitir conceitos matemáticos. Essa iniciativa pioneira destaca-se por aproximar a matemática dos estudantes da realidade cultural Avá Guarani, tornando o aprendizado mais visual e significativo.
Metodologia ativa e interculturalidade como base do ensino
Midiã Barbosa explica que a base do ensino é a interculturalidade, que promove o diálogo entre os conteúdos escolares e os saberes da comunidade. Ao incorporar os grafismos tradicionais e o vocabulário Guarani, como “mokõi” (dois), “yke” (lado) e “ojohegua” (igual), a professora cria uma ponte entre o conhecimento acadêmico e as experiências culturais dos alunos. Essa abordagem ajuda a desmistificar a abstração da matemática, reforçando o pertencimento e a valorização da cultura indígena.
Projeto do cossenômetro e união entre saberes tradicionais e científicos
No Ensino Médio, a professora desenvolve um projeto inovador sobre o cossenômetro, instrumento histórico utilizado para medir razões trigonométricas, em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana. O estudo do Ñandukyha – artefato circular com padrões complexos conhecido como “filtro dos sonhos” – permite investigar as relações entre a cultura material indígena e funções trigonométricas como seno, cosseno e tangente. Esta iniciativa demonstra como saberes ancestrais podem dialogar com o conhecimento científico, facilitando a aprendizagem da trigonometria.
Impacto na comunidade escolar e reconhecimento institucional
Os resultados dessa metodologia avançam para além da sala de aula, fortalecendo a identidade cultural dos estudantes e a valorização da escola indígena como espaço de celebração da cultura local. O secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, ressalta que o Paraná possui uma rede estruturada de 40 escolas indígenas, que atendem mais de 5,5 mil alunos, e que iniciativas como esta ampliam a qualidade e a especificidade do ensino ofertado.
Ampliação do ensino de matemática com foco na diversidade cultural
O Governo do Estado planeja investir mais de R$ 130 milhões em 2026 para aprimorar o ensino de matemática, incluindo a formação continuada de professores e o uso de metodologias inovadoras baseadas em pesquisas internacionais. A adoção de métodos que respeitam as especificidades étnicas, como o trabalho da professora Midiã, mostra um comprometimento com a inclusão, a valorização cultural e a melhoria do desempenho dos estudantes indígenas na rede pública estadual.
Esta abordagem intercultural aplicada ao ensino de geometria e trigonometria destaca a importância de conectar o conhecimento matemático com a cultura local, criando uma educação mais significativa e eficaz para os estudantes indígenas do Paraná.





