Crescimento na extração de terras raras não reduz vulnerabilidade americana diante da concentração global da cadeia produtiva
Os Estados Unidos aumentaram a extração de terras raras em 2025, mas dependem criticamente de importações para processamento e aplicações industriais.
Expansão da produção americana de terras raras em 2025
Em 2025, a dependência de terras raras dos Estados Unidos permanece um tema crítico, apesar da ampliação da produção doméstica. Segundo dados oficiais, o país extraiu cerca de 51 mil toneladas de óxidos de terras raras (REO), um aumento consistente frente aos 45,5 mil toneladas de 2024 e às aproximadamente 42 mil toneladas registradas entre 2021 e 2022. A mina de Mountain Pass, na Califórnia, é o principal polo dessa produção, refletindo uma política governamental focada na recuperação da capacidade mineral interna.
Descompasso entre extração e processamento industrial de terras raras nos EUA
Apesar do crescimento na extração, o consumo americano em compostos e metais de terras raras atinge cerca de 27 mil toneladas, enquanto a produção nacional dessas formas processadas é limitada a 8,9 mil toneladas. Isso evidencia um gargalo industrial que leva a uma dependência líquida de importações próxima de 67%. Dois terços do consumo dependem, portanto, de cadeias produtivas externas, um fator que ressalta a fragilidade da autonomia estratégica dos EUA nesse setor.
Concentração global e riscos geopolíticos associados à cadeia de terras raras
O problema da dependência americana não é apenas quantitativo, mas estrutural. De 2021 a 2024, aproximadamente 71% dos compostos e metais importados vieram da China, incluindo Hong Kong, com outros fornecedores secundários como Malásia, Japão e Estônia. Além disso, fluxos intermediários dependem significativamente de insumos chineses, ampliando a exposição dos EUA a riscos geopolíticos. Em 2025, a China reforçou controles sobre exportação de elementos estratégicos como disprósio e térbio, tornando as terras raras instrumentos de política industrial e externa.
Vulnerabilidade nas terras raras pesadas e sua importância estratégica
O segmento das terras raras pesadas representa o ponto mais sensível da cadeia. Elementos como disprósio e térbio são fundamentais para ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas militares avançados. Em 2025, os EUA mantêm dependência total (100%) de importações para esses elementos, com a China dominando a oferta, reforçando a vulnerabilidade do país frente a possíveis restrições comerciais.
Estratégias americanas para ampliar autonomia na cadeia de terras raras
Diante desse cenário, os Estados Unidos adotam uma estratégia dupla: expandir a mineração doméstica enquanto buscam diversificar fornecedores internacionais. A Austrália é parceira estratégica relevante, com reservas de 6,3 milhões de toneladas e processamento mais consolidado fora da China. O Brasil, com cerca de 21 milhões de toneladas em reservas, representa uma alternativa em médio prazo, apesar das limitações industriais atuais. Canadá, Vietnã e países africanos compõem o mapa de potenciais fornecedores para reduzir a dependência chinesa.
Desafios para a autonomia estratégica e perspectivas futuras
Embora os Estados Unidos não enfrentem escassez mineral significativa, o desafio estrutural reside na capacidade industrial. A lacuna entre a extração e o processamento – incluindo refino, separação e produção de ímãs – impede a completa autonomia estratégica. Sem avanços equivalentes nessas etapas, a dependência externa e a volatilidade geopolítica permanecerão elevadas, impactando setores cruciais da economia e da defesa nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: David Becker





