Beta Pictoris d, com 2,4 vezes a massa de Júpiter, foi descoberto a 63 anos-luz da Terra usando análise química atmosférica

Equipes de astrônomos identificaram o exoplaneta Beta Pictoris d a 63 anos-luz da Terra usando o telescópio James Webb
Equipes independentes de astrônomos identificaram o exoplaneta Beta Pictoris d no sistema estelar de mesmo nome, localizado a 63 anos-luz da Terra, anunciaram neste sábado (19). A descoberta contou com o uso do telescópio James Webb e do VLT no Chile.
O novo mundo foi revelado através de sua assinatura química atmosférica e de imagens diretas. Beta Pictoris d é um gigante gasoso com aproximadamente 2,4 vezes a massa de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar. Ele orbita uma estrela muito jovem, com apenas 23 milhões de anos, o que o torna um objeto de estudo fascinante para entender como os mundos nascem.
Ele é o planeta mais distante de sua estrela dentro do seu sistema, ocupando uma posição proporcional à de Netuno em relação ao nosso Sol. Sua luz é cerca de 100 vezes mais fraca que a de seu vizinho, o Beta Pictoris b, o que dificultou sua localização por mais de uma década de buscas intensas.
Os pesquisadores usaram o instrumento NIRSpec do James Webb para encontrar a assinatura química do planeta. Esse equipamento funciona como um sensor que decompõe a luz em várias partes, revelando moléculas específicas. Ao analisarem o espectro, os cientistas notaram padrões que pareciam um código de barras, confirmando a presença de monóxido de carbono, vapor d’água e metano.
Essa assinatura química provou que o sinal não era apenas poeira espacial refletida, mas sim a atmosfera de um planeta gigante em pleno movimento orbital. O sistema Beta Pictoris é cercado por um enorme disco de detritos e poeira, que funciona como uma neblina cósmica, espalhando a luz da estrela e ofuscando planetas menores ou menos brilhantes.
A existência do Beta Pictoris d já havia sido prevista para explicar falhas e formatos estranhos na borda interna desse disco de poeira. A descoberta confirma que o planeta atua como um pastor gravitacional, moldando o material ao seu redor. Isso permite que a astronomia use o sistema como um laboratório para observar processos que ocorreram no próprio Sol bilhões de anos atrás.




