Pesquisa Datafolha aponta 50% de desaprovação do governo, enquanto 48% aprovam a gestão presidencial

Empresário Leonardo Bortoletto defende que desaprovação de Lula não pode ser revertida. Comentarista José Eduardo Cardozo aponta paradoxo na argumentação.
O empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista José Eduardo Cardozo debateram, na sexta-feira (18), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se a desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é irreversível.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17) mostrou que 50% dos eleitores brasileiros desaprovam o governo, enquanto 48% aprovam a gestão. Os indecisos somaram 3%.
Bortoletto afirmou que “a desaprovação de Lula é irreversível”. Contudo, ele fez ressalva importante: esse índice não se traduz necessariamente em intenção de voto. Segundo o empresário, “nem a aprovação nem a desaprovação”, por si sós, determinam o resultado das urnas.
Bortoletto avaliou que o cenário de alta desaprovação já está consolidado independentemente de quem vença o pleito. “Se o presidente Lula for eleito, ele vai ser eleito com uma desaprovação alta. Da mesma forma que se Flávio Bolsonaro for eleito, ele vai ser eleito com uma desaprovação alta do governo Lula”, declarou.
O empresário classificou como “medida desesperada” uma ação recente do governo relacionada ao Bolsa Família, descrevendo-a como tentativa de reverter o quadro eleitoral, e não os índices de desaprovação. Sobre os próximos dias antes do primeiro turno, demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de definição antecipada. “Não acredito em uma solução de primeiro turno para qualquer um dos lados neste momento, a não ser que tenhamos fatos novos”, disse.
Cardozo identificou contradição no argumento de Bortoletto. “Vejo um paradoxo argumentativo”, afirmou, explicando que seu interlocutor, ao mesmo tempo em que sustenta que tudo o que parte do governo prejudica Lula, também argumenta que o Bolsa Família, por ser uma ação governamental, beneficia o candidato. “Das duas, uma: ou o governo vai ajudar ou o governo vai piorar”, pontuou.
O comentarista concordou com Bortoletto no ponto em que desaprovação do governo não implica diretamente em resultado eleitoral. Segundo Cardozo, um eleitor pode desaprovar o governo e, ainda assim, votar em Lula no segundo turno por considerar o adversário uma opção pior.





