Ministério da Justiça cassa aposentadoria de delegado da PF preso por contrabando de ouro

Júlio César de Almeida recebia R$ 23,4 mil mensais mesmo foragido por três anos antes de ser capturado em Angra dos Reis

Ministério da Justiça cassa aposentadoria de delegado da PF preso por contrabando de ouro
Delegado Júlio César de Almeida teve aposentadoria cassada pelo Ministério da Justiça. Foto: Reprodução/Web

O delegado da Polícia Federal Júlio César de Almeida teve a aposentadoria cassada pelo ministro Wellington César Lima e Silva após ser preso por comandar esquema de contrabando de ouro.

O Ministério da Justiça cassou a aposentadoria do delegado da Polícia Federal Júlio César de Almeida, de R$ 23,4 mil, por determinação do ministro Wellington César Lima e Silva. A decisão se baseou em infrações disciplinares cometidas durante o exercício do cargo.

Almeida foi preso em 31 de janeiro de 2024, em Angra dos Reis, após ficar foragido por três anos. Durante este período, conforme dados do Portal da Transparência, o delegado continuou recebendo seus vencimentos mensais.

A cassação da aposentadoria fica suspensa enquanto perdurarem os efeitos de duas condenações disciplinares anteriores que foram aplicadas ao delegado, de acordo com o comunicado do ministério.

Almeida assumiu o cargo em março de 2004 e se aposentou por incapacidade permanente para o serviço, como delegado de 2ª classe, em novembro de 2021.

O esquema investigado

O delegado é acusado de comandar um esquema de contrabando investigado pela Polícia Federal na Operação Ruta 79. Conforme as investigações, Almeida teria retirado ilegalmente do país uma tonelada de ouro entre 2017 e 2019.

Segundo a PF, o metal era extraído da Amazônia e vendido para joalherias da Itália. De acordo com as investigações, o próprio delegado aposentado levava o ouro de carro do Rio de Janeiro ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Almeida se aposentou três meses depois de ter a prisão decretada com base na Operação Ruta 79. Não foi localizado pela PF durante a operação e era considerado foragido da Justiça desde então.

Antecedentes criminais

Antes de entrar na mira da Polícia Federal pelo esquema de contrabando, Almeida havia sido condenado a seis anos de prisão em 2015. A condenação se referia ao roubo de um carro da empresa aérea SATA em 2008, dentro do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Conforme as investigações, ele teria usado o veículo para fugir de outra operação da PF.

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