Informações obtidas pelo Metrópoles contrastam com declarações de André Valadão após doação de R$ 19 milhões à unidade de Belo Horizonte

Documentos indicam que a Lagoinha Global mantinha mecanismos de acompanhamento das finanças de suas igrejas locais, com exigência de notas fiscais e extratos bancários.
Documentos e comunicações internas obtidos pelo Metrópoles indicam que a Lagoinha Global mantinha mecanismos de acompanhamento das finanças de suas igrejas locais. A informação ganhou destaque após a divulgação de que Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, destinou R$ 19 milhões à Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, unidade onde atuava como pastor e presidente.
Após a repercussão do caso, o pastor André Valadão, líder da Lagoinha Global, afirmou publicamente que as igrejas possuem estruturas administrativas e financeiras próprias e que não tinha conhecimento da dimensão dos valores movimentados por Zettel.
Segundo os documentos mencionados pela reportagem, porém, a estrutura central da denominação solicitava informações financeiras detalhadas das unidades. Entre os dados exigidos estavam notas fiscais, extratos bancários e planilhas utilizadas na administração cotidiana das igrejas.
De acordo com o material obtido pelo Metrópoles, as igrejas locais precisavam registrar os valores arrecadados durante os cultos, discriminando as diferentes formas de recebimento, como cartão, Pix e dinheiro em espécie. Também havia exigência de envio de documentos relacionados às despesas das unidades, desde contratos de aluguel até compras de materiais utilizados no funcionamento das igrejas.
A reportagem afirma que havia previsão de multa para unidades que deixassem de fornecer determinadas informações. Os documentos também descrevem um sistema de registro das receitas de cada culto, chamado de “ata de registro”, que reunia informações sobre a igreja, o culto, a data, o horário e os valores arrecadados. O documento deveria ser assinado pelo pastor responsável, pelo tesoureiro e pelo diácono.
Havia repasses financeiros das igrejas locais para a estrutura da Lagoinha Global e para as respectivas regionais. Segundo os documentos citados, o percentual correspondia a 15% da receita bruta das unidades.
Em manifestação nas redes sociais, Valadão explicou que as unidades da Lagoinha possuem estruturas jurídicas, administrativas e financeiras próprias. “A Lagoinha hoje está presente em muitas cidades e países. Cada igreja possui sua própria estrutura jurídica, administrativa e financeira.”



