STJ mantém prisão de ex-vereador Milton Leite investigado por ligação com PCC

Decisão ocorre dez dias antes do primeiro turno das eleições municipais de São Paulo, afetando candidaturas dos filhos políticos

STJ mantém prisão de ex-vereador Milton Leite investigado por ligação com PCC
Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, foi preso em 18 de setembro

O Superior Tribunal de Justiça negou liberdade ao ex-vereador acusado de envolvimento com facção criminosa na operação Vectura Corrupta

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta quarta-feira (23), o pedido para liberar o ex-vereador Milton Leite (União Brasil-SP), preso em 18 de setembro. A defesa havia solicitado liminar para sua soltura, mas a corte rejeitou. O julgamento definitivo do habeas corpus ainda será realizado.

Leite é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo na operação Vectura Corrupta. Conforme a investigação, a operação apura infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo, suspeitas de corrupção de agentes públicos e financiamento de campanhas eleitorais.

A decisão judicial cita Leite como responsável pela operação de empresas que, segundo a investigação, estariam sob influência da facção, incluindo a Transwolff. O ex-vereador nega envolvimento com o PCC e nega ser proprietário da empresa.

Leite exerceu sete mandatos como vereador durante quase três décadas na política paulistana e foi presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Construiu uma estrutura de poder que elegeu sucessores e o tornou interlocutor de prefeitos e governadores.

Ao se entregar à polícia, Leite afirmou aos jornalistas: “Terei oportunidade de provar tudo. Me apresentei conforme prometido”. Questionado se se arrependia de algo, respondeu: “Só se arrepende quem comete crime”.

A prisão ocorre dez dias antes do primeiro turno das eleições municipais de São Paulo, marcado para 4 de outubro. O momento afeta dois dos principais sucessores políticos de Leite, seus filhos, que tentam trocar de posições no Legislativo municipal. O prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) procuram delimitar o caráter das relações que mantiveram com o ex-vereador.

O STJ ainda deve analisar o pedido de anulação da decisão que decretou a prisão no julgamento definitivo do habeas corpus.

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