Prisma Capital aponta redução na emissão de novos títulos e restrições a CRIs e CRAs comprometem setor

Levantamento aponta que mercado de crédito privado terá de absorver R$ 1,48 trilhão em juros e amortizações até fim de 2030
O mercado de crédito privado brasileiro terá que absorver R$ 1,48 trilhão em juros e amortizações de debêntures, CRIs e CRAs entre setembro de 2026 e o fim de 2030, segundo levantamento da Prisma Capital. O pico de pagamentos está projetado para 2029, com R$ 385,8 bilhões.
A capacidade de emissão de novos títulos está diminuindo significativamente. Enquanto no ano passado havia R$ 6 em emissões novas para cada R$ 1 que precisava ser devolvido, a projeção da Credit Guide é de que essa relação caia para apenas 1,3 vez em 2029. De cada R$ 100 captados, R$ 78 já estão comprometidos exclusivamente para pagar dívida vencida.
O fluxo de caixa está sendo pressionado pela necessidade de rolar dívida antiga. Nos meses de maior concentração de pagamentos, o principal a pagar pode chegar a R$ 38 bilhões, quantidade superior ao que o mercado consegue emitir em um mês inteiro atualmente.
Os CRIs e CRAs foram os instrumentos que mais cresceram na última década. O estoque de Certificados do Agro saltou de R$ 20 bilhões em 2014 para R$ 350 bilhões em 2026, alta de 17,5 vezes em 12 anos. Os títulos imobiliários passaram de R$ 80 bilhões para R$ 250 bilhões no mesmo período. Juntos, os dois produtos somam mais de R$ 600 bilhões, representando a maior categoria de renda fixa privada do país depois das debêntures.
Esse crescimento agora enfrenta dois fatores de risco simultâneos. O Conselho Monetário Nacional (CMN) implementou novas restrições aos emissores em 2025, com juros em patamar restritivo reduzindo as operações. Para 2026, especialistas esperam, na melhor das hipóteses, uma repetição “levemente mais positiva” desse cenário.
A Medida Provisória 1.303 prevê tributação de 5% sobre os rendimentos de CRI e CRA para emissões a partir de 2026, encerrando a isenção total de Imposto de Renda que era o principal atrativo desses papéis para o investidor pessoa física. No exato momento em que o mercado caminha para uma parede de vencimentos, os dois instrumentos que mais pulverizaram risco corporativo na carteira do investidor de varejo enfrentam restrição regulatória, menos apetite de emissores de qualidade e o fim do principal benefício fiscal.


