PF pede acesso a dados financeiros de 40 autoridades no caso Master

Polícia Federal encaminhou pedido ao STF em março para quebrar sigilo de informações do Coaf envolvendo membros dos Três Poderes

PF pede acesso a dados financeiros de 40 autoridades no caso Master
Investigação do caso Master avança com análise de documentos e mensagens

Investigação sobre relações entre ex-controlador do Banco Master e autoridades dos Três Poderes enfrenta obstáculos para acessar dados financeiros protegidos por sigilo

A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o acesso a informações financeiras que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras havia deixado de fora dos relatórios por envolver pessoas com foro por prerrogativa de função. Segundo fontes a par das investigações, seriam quase 40 pessoas nessa condição.

O pedido foi encaminhado em março de 2026, mas não havia sido analisado quando parte significativa do processo teve o sigilo derrubado neste mês. A Procuradoria-Geral da República afirmou que não havia sido informada sobre a existência desse pedido.

A investigação sobre as relações entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e autoridades dos Três Poderes avançou nos últimos meses com buscas, apreensões, análise de celulares, mensagens e documentos. Porém, o acesso integral às movimentações financeiras de autoridades com foro permanece parcialmente protegido.

Na lista de pessoas investigadas estariam desde membros do STF até deputados, senadores e autoridades ligadas ao Executivo. Segundo apuração, nessa condição haveria uma rede de autoridades ligadas ao caso.

O caso está agora sob relatoria do presidente da Corte, Edson Fachin, que ainda não se manifestou sobre a divulgação dos dados de quebras de sigilos. Alas próximas ao ministro Alexandre de Moraes, citados nos diálogos com Vorcaro, pressionam Fachin para sortear um novo relator para o caso no Supremo.

Para investigadores, o cenário mais claro neste momento é que as quebras dos sigilos, ao menos de parte deles, só devam ser efetivadas após o primeiro turno das eleições, que ocorre em 4 de outubro. O episódio abriu uma discussão sobre quando e como os dados financeiros de autoridades poderão ser incorporados à investigação e se todos os suspeitos de ligação com o caso terão seus dados bancários e fiscais liberados aos investigadores.

O caso Master está sem a deflagração de uma operação policial há pelo menos dois meses e meio. Fontes a par das apurações indicam que o que está por vir ainda promete movimentar a investigação, com destaque para a existência de dados financeiros identificados pelo Coaf que não apareceram integralmente no material entregue aos investigadores.

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