Flávio Bolsonaro planeja corte de R$ 300 bilhões em gastos se eleito presidente

Equipe econômica do candidato estuda ajuste fiscal diluído ao longo do tempo para estabilizar dívida pública em 82% do PIB

Flávio Bolsonaro planeja corte de R$ 300 bilhões em gastos se eleito presidente
O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Foto: GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO — Foto: O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL)  • GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Equipe econômica de Flávio Bolsonaro vislumbra apresentar PEC da Transição com corte de R$ 300 bilhões em gastos caso ele vença eleição

A equipe econômica do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) planeja apresentar uma nova “PEC da Transição” com corte de gastos na ordem de R$ 300 bilhões, caso vença a eleição. De acordo com interlocutores do candidato, o valor é tratado como um “número mágico” a ser defendido já em 2026 para estabilizar a dívida pública, que está em 82% do PIB.

O ajuste fiscal proposto seria o inverso da PEC da Transição de Lula. Após vencer a eleição em 2022, o presidente petista conquistou autorização do Congresso para gastar cerca de R$ 270 bilhões. Os efeitos do corte planejado por Flávio não seriam imediatos, mas sim diluídos ao longo do tempo, segundo a equipe.

Os alvos do ajuste permanecem em sigilo e estão divididos entre medidas leves, médias e duras. A implementação dependerá das condições políticas pós-eleitorais, informou um assessor que acompanha os debates internos.

A equipe entende que o problema fiscal brasileiro será resolvido apenas com crescimento econômico. Porém, avalia que um corte de gastos imediato seria um forte sinal aos agentes econômicos e já contribuiria para a redução da taxa de juros, segundo fonte próxima ao candidato.

“Quem não cuida das contas não pode cuidar das pessoas”, disse a campanha. O estado das contas públicas, conforme a avaliação da equipe, coloca em risco a manutenção dos principais programas sociais.

Na leitura dos assessores, a situação econômica do país é “delicadíssima” e “incrivelmente ruim”, mas há potencial para tirar o país de uma trajetória crítica. “Ou a gente faz o ajuste ou o mercado vai fazer”, disse um interlocutor próximo do candidato à CNN.

O objetivo é fazer a despesa crescer menos do que a receita, mas sem a criação de um novo marco fiscal. A avipe avalia que esse debate consumiria muita energia política e tempo. O ideal seria encerrar as exceções criadas pelo governo Lula ao arcabouço fiscal, que abriram espaço para um orçamento paralelo que o time de Flávio pretende encerrar, informou a equipe.

A equipe defende atacar a questão econômica de forma imediata, sem gradualismo. O receio é que um ajuste suave tenha efeito negativo sobre as expectativas dos agentes econômicos. A equipe cita o caso do presidente argentino Mauricio Macri, eleito em 2015, que optou por medidas graduais e não obteve êxito nem econômico nem político, perdendo a eleição de 2019 para o peronista Alberto Fernández.

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