Acordo entre Trump e Xi estende trégua comercial por dois meses, mas sem novos detalhes sobre volumes de compras agrícolas

Compras chinesas de soja brasileira caíram para menos de cinco cargas nas duas semanas antes do encontro entre os presidentes.
O encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping terminou nesta quinta-feira (24) sem novo anúncio de grande porte para o comércio agrícola. EUA e China decidiram estender por mais dois meses a trégua comercial que venceria em novembro.
Questões importantes, entre elas tarifas, compras chinesas de produtos americanos e barreiras comerciais, não tiveram novos detalhes divulgados após o encontro. A expectativa dos produtores e operadores americanos era de que a reunião trouxesse anúncios adicionais de compras chinesas de soja, milho, sorgo, trigo e carnes.
Os mercados de grãos reagiram à falta de detalhes concretos sobre novos negócios. A soja permanece no centro da disputa comercial. A China se comprometeu a comprar pelo menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano, entre 2026 e 2028, segundo dados citados pela Reuters e S&P Global. As compras para o atual ano comercial já estão próximas de cumprir essa meta, enquanto o compromisso mais amplo de adquirir US$ 17 bilhões adicionais em produtos agrícolas americanos avança mais lentamente.
O encontro não produziu até agora um novo volume de soja americana que altere imediatamente o mercado. Mas a manutenção dos compromissos anteriores já é suficiente para mudar o ambiente competitivo entre Estados Unidos e Brasil.
Enquanto Trump e Xi negociavam em Washington, os compradores chineses reduziram fortemente as compras comerciais de soja brasileira. Segundo a Bloomberg, as compras caíram para menos de cinco cargas nas duas semanas anteriores ao encontro, na comparação com uma média de 20 cargas por semana em agosto. Traders ouvidos pela agência afirmam que os processadores chineses estão enfrentando margens negativas para esmagar a soja brasileira e aguardavam sinais das negociações antes de fechar novos negócios.
A soja brasileira perdeu parte da vantagem de preço que vinha sustentando a demanda chinesa. A soja com embarque em novembro pelo porto de Paranaguá estava sendo negociada com prêmio de US$ 1,35 por bushel sobre Chicago. Em alguns embarques, a soja brasileira já estava mais cara que a americana colocada no Golfo do México.
Mais de 90% da safra brasileira 2025/26 já havia sido comercializada, acima da média de cinco anos, de 88%, segundo dados disponíveis.



