Goldman Sachs alerta que El Niño pode reduzir PIB e pressionar inflação do Brasil

Banco estima redução de 1,21 ponto percentual no PIB em quatro trimestres. NOAA indica 98% de probabilidade de fenômeno muito forte até fim do ano.

Goldman Sachs alerta que El Niño pode reduzir PIB e pressionar inflação do Brasil
Ilustração com o logotipo do Goldman Sachs. Foto: REUTERS/Dado Ruvic — Foto: Ilustração com o logotipo do Goldman Sachs  • REUTERS/Dado Ruvic

Análise do Goldman Sachs divulgada nesta quinta-feira indica que Brasil está entre economias latino-americanas mais suscetíveis aos efeitos econômicos do El Niño.

O Goldman Sachs divulgou análise nesta quinta-feira (24) apontando que o Brasil está entre as economias latino-americanas mais suscetíveis aos efeitos econômicos do El Niño. Segundo dados da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há 98% de probabilidade do fenômeno se tornar “muito forte” até o fim deste ano.

O estudo do Goldman Sachs mostra que os efeitos do El Niño funcionam como um choque de oferta: ao mesmo tempo em que podem reduzir a atividade econômica, tendem a elevar preços. No Brasil, o banco estima que episódios de El Niño estejam associados a uma redução acumulada de 1,21 ponto percentual no PIB ao longo dos quatro trimestres seguintes ao início do fenômeno — impacto superior à média de 0,36 ponto percentual estimada para as sete economias latino-americanas analisadas.

O banco ressalva que esses números não representam previsão para o desempenho do PIB brasileiro nos próximos quatro trimestres, mas calculam-se sobre estimativas baseadas em episódios anteriores. No caso brasileiro, a preocupação ocorre devido a mudanças no regime de chuvas. A seca em algumas regiões pode afetar tanto a produção agrícola quanto os reservatórios das hidrelétricas.

A inflação é outro ponto de atenção levantado pelo Goldman Sachs. O impacto tende a aparecer com maior intensidade nos alimentos, que são diretamente afetados por perdas de safra, alterações na produtividade e dificuldades de transporte. Para as sete economias latino-americanas analisadas, o estudo estima que um episódio de El Niño esteja associado, ao longo de quatro trimestres, a uma elevação de 1,40 ponto percentual nos preços dos alimentos.

No caso específico do Brasil, o banco cita o modelo utilizado pelo Banco Central, que apresenta um impacto sobre o IPCA de aproximadamente 0,1 ponto percentual por trimestre, ou entre 0,4 e 0,5 ponto percentual ao longo de um ano. O El Niño também pode dificultar as próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária), segundo o relatório do Goldman Sachs.

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