Medida ocorre menos de dez dias do primeiro turno e contrasta com regulamentação do setor pelo próprio governo em 2023.

Governo anuncia proibição das bets a menos de dez dias do primeiro turno das eleições, gerando questionamentos sobre o timing da decisão.
O governo Lula (PT) deve anunciar a proibição das apostas online a menos de dez dias do primeiro turno das eleições. A medida é apresentada como um combate a um problema social, mas gerou questionamentos sobre o momento escolhido para a intervenção no setor.
Segundo analista de Política, a decisão carrega um elemento contraditório relevante: foi o próprio governo Lula que criou as regras do mercado de bets. “A lei que regulamentou as apostas, lá em 2023, foi proposta pelo governo. A justificativa na época era organizar um setor que já funcionava sem controle, mas o objetivo de arrecadar estava muito claro desde o início.”
O Ministério da Fazenda chegou a tentar ampliar a arrecadação com as bets. “Só no ano passado eles tentaram elevar o imposto das bets de 12% para 18%, e o Congresso Nacional acabou derrubando.”
O impacto social das apostas já era conhecido há tempo. Em 2024, o Banco Central mostrava que beneficiários do Bolsa Família tinham enviado R$ 3 bilhões para sites de apostas em um único mês. Diante desse histórico, questionou-se por que o governo seguiu ampliando a arrecadação com as bets até poucos meses atrás, mesmo ciente dos danos sociais causados.
Analista também apontou sinais de improviso na formulação da medida. “Até essa semana, o Palácio do Planalto discutia proibir só os cassinos online, chamado jogo do Tigrinho, e manter as apostas esportivas normalmente. Poucos dias depois, essa proposta se transformou em proibição total.”
A decisão foi anunciada no mesmo dia em que a campanha lançou um slogan associando o adversário às bets, reforçando as dúvidas sobre as motivações da medida.
Segundo análise, combater o vício em apostas é um consenso. “O que está sendo criticado, principalmente pela oposição, é o método. Se a pressa é para resolver o problema ou se é justamente para ganhar a eleição.”



