Paraná registra escalada de violência contra mulher em setembro

Estado acumula mais de 74 mil processos de violência doméstica segundo dados do Tribunal de Justiça do Paraná

Paraná registra escalada de violência contra mulher em setembro
Viaturas das polícias do Paraná. Foto: Atila Alberti / Tribuna do Paraná

Paraná registra casos graves de violência contra mulher em setembro. Pediatra foi morta a facadas pelo ex-marido em Maringá; homem decepou orelha de companheira em Fazenda Rio Grande.

O Paraná registra uma escalada significativa de casos graves de violência contra mulher em setembro de 2026. A médica pediatra Gabrielle Ramos, de 34 anos, foi morta a facadas dentro da própria residência em Maringá, no Noroeste do estado. O ex-marido dela teve a prisão preventiva decretada.

Na Região Metropolitana de Curitiba, em Fazenda Rio Grande, um homem decepou a orelha da companheira com uma faca de cozinha. No mesmo município, registrou-se outro caso em que um pai fez o próprio filho recém-nascido refém após agredir a mãe do bebê durante uma discussão familiar.

Dados consolidados do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) e do painel Datajud revelam que o Judiciário paranaense acumulou mais de 74 mil novos processos instaurados relacionados à violência doméstica. O mesmo sistema registra uma busca recorde por concessões de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs).

Os registros de violência psicológica contra a mulher cresceram no Paraná a uma taxa mais que duas vezes superior à média nacional. Enquanto os índices no Brasil aumentam em ritmo moderado, a formalização de ocorrências por ameaça, perseguição (stalking), humilhação e controle obsessivo disparou nas delegacias paranaenses. Esse tipo de violência antecede, em quase a totalidade dos casos, o ápice da agressão física e as tentativas de feminicídio.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-PR) foi contatada para obter dados estatísticos de violência doméstica e contra mulher durante o feriado prolongado de Sete de Setembro, mas não forneceu as informações. A secretaria informou que os dados serão consolidados apenas no balanço geral com o fechamento do mês.

Segundo análise, a presença constante do Paraná no topo dos rankings de denúncias e processos judiciais não reflete apenas um avanço descontrolado da criminalidade, mas sim uma mudança estrutural no letramento de direitos acumulado pelas paranaenses. “Os números não aumentaram na prática, mas na teoria e na possibilidade de notificar. Aquilo que ficava retido quando as cortinas se fechavam, agora vai para as” [delegacias], indicando maior formalização de casos que anteriormente permaneciam silenciosos.

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress