Gestão do procurador-geral aposta em arquivamento, mas reconhece imprevisibilidade de colegiado que analisará mensagens do Banco Master

Conselho Superior do MPF se reúne nesta sexta para analisar mensagens de Daniel Vorcaro sobre Gonet e decidir se abre investigação formal
O Conselho Superior do Ministério Público Federal se reúne nesta sexta-feira (25) para decidir sobre processo administrativo contra o procurador-geral Paulo Gonet. Os nove conselheiros analisarão mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com menções ao procurador-geral. Gonet preside o órgão, mas não participa da votação nem estará presente na sessão.
O colegiado máximo de deliberação da instituição responderá a uma pergunta específica: há elementos suficientes para abertura de investigação sobre a atuação de Gonet na condução das apurações relativas ao Master. Se a resposta for afirmativa, os conselheiros designarão outro subprocurador-geral para investigar a possível prática de crime comum atribuível ao procurador-geral. Caso contrário, o processo será arquivado.
Integrantes da gestão de Gonet não acreditam em decisão unânime em favor do procurador-geral, mas apostam que o conselho concluirá pela ausência de elementos que indiquem crime e justifiquem a abertura de apuração contra o chefe, segundo pessoas próximas a ele. Essas fontes ponderam, no entanto, que colegiados costumam ser imprevisíveis e que com o Conselho Superior do MPF não seria diferente.
Conselheiros ouvidos em caráter reservado relataram constrangimento e incômodo com a revelação das mensagens sobre Gonet. A despeito da frustração, evitam dar como certo um revés ao procurador-geral. Aliados de Gonet acreditam que a fala do ministro André Mendonça durante sessão do Supremo Tribunal Federal minimizando a citação ao procurador-geral nas conversas tende a enfatizar os argumentos que constam na resposta enviada por Gonet ao conselho.
A aposta do grupo de Gonet é a de que, por mais que haja críticas dos colegas durante a votação sobre conveniência, oportunidade e postura moral do procurador-geral, não seria possível lhe imputar conduta criminosa.



