Apesar do crescimento no primeiro trimestre, aumento dos custos e cenário econômico afetam projeções do setor
O setor da construção começou 2026 com crescimento, mas alta nos custos e juros elevados reduzem expectativas para o ano.
Panorama do setor da construção em 2026
O setor da construção iniciou 2026 demonstrando força, com destaque para a geração de empregos, incremento do crédito imobiliário e ritmo acelerado nas obras. Conforme análise da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) na coletiva de imprensa realizada em 7 de fevereiro, o setor mantém suas bases resilientes, impulsionado principalmente pelo mercado imobiliário e pelas obras de infraestrutura. No entanto, o aumento dos custos e o cenário macroeconômico global, marcado por conflitos no Oriente Médio, impactam negativamente as projeções para o ano.
Impacto da alta dos custos na construção civil
A alta dos custos representou um dos principais desafios para o setor da construção em 2026. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou aumento de 5,84% nos 12 meses encerrados em março, superando a inflação oficial medida pelo IPCA, que ficou em 4,14%. A mão de obra teve alta de 8,82% no mesmo período. Essa valorização reflete, sobretudo, o aumento do preço do petróleo, que elevou custos de insumos derivados, como PVC, conexões e tintas, além de influenciar o frete e toda a cadeia produtiva do setor.
Juros elevados e restrições ao financiamento imobiliário
Além do aumento dos custos, o setor da construção enfrenta juros elevados, que dificultam o acesso ao crédito de longo prazo essencial para empreendimentos. A taxa Selic hoje projeta fechar 2026 em patamar próximo a 13%, acima do esperado inicialmente. Esse cenário pressiona margens e reduz a capacidade de investimento das construtoras, impactando especialmente obras que dependem de financiamentos acessíveis, como projetos habitacionais populares.
Mercado de trabalho e crédito imobiliário impulsionam o setor
Apesar do cenário adverso, o setor da construção gerou mais de 120 mil empregos formais no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de quase 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, o melhor resultado desde 2020. O número de trabalhadores com carteira assinada ultrapassou 3 milhões, com destaque para a construção de edifícios e obras de infraestrutura. Paralelamente, o crédito imobiliário avançou, com financiamentos via FGTS atingindo R$ 32,5 bilhões, alta de 22%, e recursos do SBPE alcançando R$ 42 bilhões, crescimento superior a 10%.
Desafios para contratos públicos e perspectivas para 2026
O aumento rápido dos custos e as taxas de juros elevadas também colocam em risco a rentabilidade e a continuidade de contratos públicos e programas habitacionais de menor margem, como o Minha Casa Minha Vida Faixa 1. A CBIC alertou para a possibilidade de paralisação de obras caso os custos continuem subindo. A confiança dos empresários do setor caiu em abril para 46,4 pontos, o menor nível do ano, refletindo incertezas sobre a economia, crédito e custos.
O ano de 2026 se configura como um exercício delicado de equilíbrio para o setor da construção, que precisa manter o ritmo das obras e preservar suas margens em meio a um ambiente econômico complexo e imprevisível. A combinação entre demanda sustentada pelo emprego e crédito, e os desafios impostos pela inflação de custos e juros altos, moldará o desempenho da indústria ao longo dos próximos meses.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Fernando Frazão/Agência Brasil





