Estudo documenta 4.216 mortes de cristãos na Nigéria entre janeiro e setembro

Agência humanitária americana registra taxa de um cristão assassinado a cada 86 minutos na região central do país

Estudo documenta 4.216 mortes de cristãos na Nigéria entre janeiro e setembro
Cristãos durante culto em igreja na Nigéria. Foto: Gracious Adebayo/Unsplash.com — Cristãos durante culto em igreja na Nigéria (Foto: Gracious Adebayo/Unsplash.com )

Relatório da agência Equipping The Persecuted registra 4.216 mortes de cristãos na Nigéria entre janeiro e 8 de setembro, média de 16,8 por dia

Um relatório da agência humanitária Equipping The Persecuted (ETP), sediada nos Estados Unidos, documenta 4.216 mortes de cristãos na Nigéria entre 1º de janeiro e 8 de setembro. Segundo a ETP, a taxa média é de um cristão assassinado a cada 86 minutos, ou 16,8 mortes por dia.

A maioria dos casos ocorre na região central do país, que recebe baixa prioridade nas políticas de segurança nigeriana e americana. De acordo com o relatório “Crise no Cinturão Médio: Perseguição Religiosa e Falha de Segurança na Nigéria”, a violência contra comunidades agrícolas cristãs aparenta ter motivação religiosa e é perpetrada por redes militantes organizadas.

O estudo aponta que grupos fulani foram responsáveis por mais mortes do que o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) juntos. Diversas comunidades étnicas e religiosas na Nigéria sofrem com a violência, mas a ETP destaca ser importante considerar a motivação religiosa dos ataques contra agricultores cristãos para evitar respostas políticas equivocadas.

“Quando os ataques são enquadrados apenas como confrontos entre agricultores e pastores, ações de homens armados desconhecidos ou violência rural generalizada, a perseguição em massa pode ser interpretada erroneamente como um mero problema de desenvolvimento ou uma falha policial. Da mesma forma, quando a identidade religiosa das comunidades afetadas é omitida, a dimensão religiosa da violência pode ser sub-representada nos relatórios públicos e nos registros de vítimas. Como resultado, a perseguição direcionada pode ser absorvida por narrativas mais amplas de insegurança, obscurecendo tanto sua natureza quanto sua escala”, afirma a ETP.

O relatório reconhece que disputas locais por terras, recursos ou identidade comunitária podem ser fatais. Porém, de acordo com a ETP, não equivalem à destruição sistemática ou ao despovoamento de aldeias inteiras. “De acordo com os relatórios de campo da Equipping The Persecuted e da TruthNigeria, a destruição de aldeias, a queima de igrejas e o deslocamento permanente de comunidades estão predominantemente associados a ataques com motivação religiosa e à pressão territorial militante contínua, e não a disputas comunitárias isoladas”, consta no documento.

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